A suspensão das exportações de ovas de tainha para a União Europeia levou as indústrias catarinenses a mirar o mercado de Taiwan. Desde o início da safra já foram enviadas, somente de Itajaí, mais de 200 toneladas de ovas para o país asiático. Outras 250 toneladas estão em negociação. É o dobro de volume, em comparação com o número de contêineres enviados a Taiwan no ano passado.
Apelar para o mercado alternativo, no entanto, tem seu preço. O valor pago pelo quilo de ovas é 20% menor do que o que foi negociado com a Europa em 2017 _ um efeito do embargo ao produto brasileiro, que já era esperado pelos empresários do setor. Com mais ovas à disposição, e um mercado mais restrito, a tendência é de preços mais baixos.
A exportação de pescado brasileiro para a Europa foi suspensa pelo Ministério da Agricultura em janeiro, em resposta a uma auditoria dos europeus que apontou que o país não estava em dia com as regras impostas. A situação complicou em maio quando, diante de restrições ao frango brasileiro, a União Europeia decidiu barrar também, formalmente, o pescado do Brasil.
Diretor do Departamento de Registro, Monitoramento e Controle da Secretaria Nacional de Pesca, Carlos Cesar de Mello Junior, disse em visita a Itajaí que a retomada das exportações está entre as metas da pasta. Até então, o assunto vinha sendo tratado pelo Ministério da Agricultura.
Bottarga
Enquanto a reabertura de mercado da União Europeia não acontece, a indústria catarinense aposta no potencial da ova de tainha beneficiada, a bottarga _ uma iguaria conhecida como “caviar brasileiro”, produto típico de Santa Catarina. Só a Bottarga Gold, em Itajaí, tem vendido 300 quilos por mês, principalmente para o mercado nacional. A empresa negocia um possível envio da bottarga pronta para o Japão, o que deve trazer incremento à produção.