A suspensão da exportação de pescado brasileiro para a Europa começa a valer amanhã, justamente no momento em que deve ser assinado um acordo comercial entre o Mercosul e União Europeia. O acordo era negociado há quase 20 anos e era visto com grande expectativa pelo setor pesqueiro, que esperava turbinar o comércio com os países europeus.
Na sexta-feira o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) negou, por e-mail, a possibilidade de adiar o início da suspensão da exportação. A prorrogação vem sendo pleiteada por parlamentares catarinenses, numa tentativa de dar tempo ao setor produtivo para discutir o caso.
A suspensão é uma resposta do Mapa à possibilidade de embargo unilateral da União Europeia ao pescado brasileiro. O motivo foram as irregularidades apontadas na inspeção feita este ano, que envolvem seis empresas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, além de outras espalhadas pelo país.
Para os empresários, a suspensão da venda de todo o produto nacional para os países da União Europeia, que são grandes consumidores do pescado brasileiro, “pune” indústrias e armadores que trabalham na legalidade. Há preocupação com a possibilidade da suspensão das exportações ser entendida como um reconhecimento de falhas por parte do governo brasileiro, e isso provocar embargo vindo de outros países, como os Estados Unidos — o que agravaria a situação.
A estimativa dos empresários é que, se não houver uma resposta rápida à União Europeia, a suspensão possa se estender por dois anos ou mais até ser revertida. As empresas ligadas ao sindicato em Itajaí têm mais de 10 mil empregados diretos em Santa Catarina, nas embarcações e na indústria de processamento de pescado.
A pesca catarinense é a terceira maior exportadora do país, com volume de duas mil toneladas ao ano.