Prefeito descarta retorno da Guarda Municipal em Criciúma

Associação acusa Salvaro de cometer improbidade administrativa. Corporação operou de 2009 a 2017 na cidade

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Guardas municipais em operação em dezembro de 2016 em Criciúma

Divulgação

Vem ganhando volume nas últimas semanas, em Criciúma, uma mobilização em prol da retomada das operações da Guarda Municipal (GM), criada em 2009 pelo prefeito Clésio Salvaro (PSDB), que a extingiu no início de 2017.

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-Na época, o modelo não funcionava adequadamente. Mas agora o Município tem prejuízos patrimoniais que são maiores que o custo da GM – ponderou o vereador Júlio Kaminski (PP), autor de requerimento solicitando ao prefeito estudar a recriação da corporação. Mas para Salvaro criar a GM foi um erro. – Ali cometi meu maior erro. Quando eu voltei, meu primeiro ato em 2017 foi corrigir esse erro e extinguir a GM – afirmou.

Salvaro criou um fundo municipal para repassar recursos às polícias Militar e Civil. – Criciúma tem, hoje, índices de criminalidade semelhantes a de países europeus e dos Estados Unidos. Temos PM presente, Polícia Civil competente, e são nossos parceiros – argumentou. – Por isso, enquanto eu for o gestor de plantão, a volta da Guarda Municipal está fora de cogitação. A responsabilidade com o gasto público será sempre a nossa prioridade – completou.

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Os guardas municipais seguem existindo enquanto servidores públicos em Criciúma. Porém, com a dissolução da GM, foram realocados em outras áreas. – A prefeitura gasta R$ 2 milhões para arcar com danos ao patrimônio público. Com a Guarda, pagando salários decentes para 220 guardas, teria uma folha de R$ 1,3 milhão – apontou o diretor da Associação Nacional de Altos Estudos em Guardas Municipais (ANAEGM), Marcelo Peruchi.

Para ele, Salvaro cometeu improbidade administrativa ao dissolver a GM e repassar recursos a forças policiais estaduais. – Nunca vi aberração tão grande. Ele não cometeu erro, cometeu crime. A segurança básica também é dever dos municípios – salientou.

Para Peruchi, a justificativa para a extinção foi pífia. – E além de não investir na GM, criou um fundo municipal para dar dinheiro a forças estaduais. Ele deu R$ 35 mil por mês nos últimos dois anos para a PM, comprou R$ 9,7 mil em armas de choque, investiu em motos, veículos. Se tivesse feito esse investimento na GM, teria uma das melhores do Brasil – comentou.

Peruchi, que é natural de Criciúma e atualmente desempenha função de guarda municipal concursado em Curitiba, crimes relevantes na cidade não teriam ocorrido se houvesse Guarda Municipal. – Com 220 guardas, com grade curricular em dia, armamento e tecnologia, monitoramento da cidade e quatro portais de segurança, Criciúma não teria sido sitiada por vagabundos aterrorizando sua população – disparou, citando o assalto ao Banco do Brasil em dezembro de 2020. – Guarda Municipal atuando baixa o índice de homicídios em 30%. E a Guarda de Criciúma ainda existe na Lei Orgânica, o que torna mais fácil ainda a sua reabertura – arrematou.