“São José nunca se negou a receber unidade prisional”, diz prefeita Adeliana

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A prefeita de São José, Adeliana Dal Pont (PSD), explicou nesta entrevista as razões que a levaram mais uma vez a anunciar novos recursos judiciais para não receber uma unidade prisional no município.

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Nesta semana, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina rejeitou o último recurso em tramitação da prefeitura e abriu o caminho para que o Estado construa uma central de triagem na cidade.

Adeliana afirma que o problema está na localização do terreno – que não pode ser em área industrial – e que aceita a prisão desde que a Secretaria da Justiça e Cidadania o compre e não espere por doação do município. O impasse em São José existe desde 2014.

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Confira os principais trechos da conversa por telefone na manhã desta sexta-feira:

Quais são as razões que levam mais uma vez a prefeitura a anunciar que irá recorrer contra uma unidade prisional?

Tem algumas coisas que temos que colocar corretamente: o município nunca se negou de receber uma unidade prisional. Nunca. Em nenhum momento você me viu falando “aqui eu não quero”. O município não se nega a receber uma unidade prisional. Isso tem que estar evidenciado.

Mas o Estado diz detalhadamente que a senhora não quer receber a unidade prisional…

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O Estado está equivocado porque quando eles não têm solução para o problema deles eles colocam São José como a solução. Eu já fui em muitas audiências sobre o assunto, inclusive no ano passado numa mesma reunião com quatro secretários de Estado, desembargadora, juiz de direito, promotor e lá ficou mais uma vez registrado e todos reconhecem que eu nunca me neguei de ter uma unidade prisional no município.

Por que não sai unidade prisional então em São José?

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Eu tenho que indicar em lugares possíveis. Não é onde o Estado quer, não é no meio de uma área industrial onde a cidade de São José é a maior exportadora da região. Não é do lado de uma escola do Senai que atende milhares de alunos. Não é ali. Eles já tiraram do Estreito (antigo cadeião em Florianópolis) porque não queriam do lado da população. Então por que tiram do Estreito e vão botar na fazenda Santo Antônio, que também tem população e é um bairro extremamente antigo. Acho que tem de ter respeito pela cidade de São José.

Não há outro terreno além desse em área industrial?

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Existe. Eu mesmo, pessoalmente, já levei eles para escolher terreno, já deixei cinco secretários à disposição para levar o Estado a escolher terreno e eles não têm a mínima boa vontade. Nenhuma boa vontade. Ano passado, em maio de 2017, o Estado e o município sentaram, se manifestaram nesses autos, fizeram um agravo pedindo a suspensão do julgamento porque o estágio das tratativas estava muito avançado. O problema é que o Estado quer que o município doe o terreno. Para os outros municípios do Estado de SC a secretaria comprou terreno. Em São José eles querem que eu doe terreno e a cidade não vai doar terreno nenhum. Eu não aceito que faça na área industrial.

A senhora tem locais para oferecer?

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Eles já sabem, estão com os mapas tudo lá.

A senhora poderia dizer quais são?

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Não, porque daí tu bota a população toda contra.

A senhora então não se opõe a receber unidade prisional na cidade?

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Não, eles podem escolher próximo da alça de contorno, onde eles quiserem. Eles podem escolher. Em 23 de janeiro de 2018 o Estado me mandou uma carta dizendo que aceita em outro lugar, só que daí agora quer que a gente compre. Ora, o que é isso?

A senhora não tem receio que esse impasse afete a sua administração, a cidade como a que está causando o efeito de superlotação prisional na região?

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A cidade de São José não vai resolver o problema carcerário do Estado. Cada vez que o juiz de execução penal aperta a Secretaria da Justiça por falta de vagas eles botam na mesa a cidade de São José. Mas eu não vou resolver todos os problemas. Inicialmente o pedido aqui era para 248 vagas. Eles já estão em 900. Vão construir quantas mil vagas aqui?

A última informação é que seriam cerca de 500…

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Tu vê… todo dia eles mudam.

A senhora não acha incomum São José com quase 240 mil habitantes não ter uma unidade prisional?

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Nossa Comarca tem uma penitenciária que para chegar em São Pedro de Alcântara passa em toda São José, que está no nosso limite da cidade. Então eu considero que é nossa, da nossa Comarca. Acho que a Justiça tem que funcionar, os municípios têm que ceder para ter a sua central de triagem. Importante que cada um tivesse a sua, porque daí eu resolveria só os de São José que precisam ir para a central de triagem, mas eu não vou resolver o problema do Estado inteiro. Estão falando todas as vezes que vão desativar a Agronômica. Sim, vão fazer onde? Em São José também?

Mas agora o Estado anunciou que não vai mais desativar a Agronômica. Até está investindo lá…

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Então eles que escolham o que querem fazer. Eu tenho todo o relato de todas as tratativas, reuniões, datas. O governador Raimundo Colombo (PSD) tinha concordado em adquirir um terreno aqui na cidade, na presença dos secretários que estavam envolvidos. Infelizmente agora com a mudança, a Secretaria da Justiça entendeu que tudo aquilo que a gente conversou não valeu de nada. Eu quero para São José o mesmo tratamento dado aos outros municípios quando o Estado de SC adquiriu terreno para a implantação da triagem. O ente da federação mais pobre é o município.

Foram oferecidas compensações pela obra?

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Tu achas que um município que vai receber uma unidade desta não merece compensação, o bairro? Esse era o combinado, pagamento do terreno. Está oficializado: parque na mesma região, equipamentos públicos para a comunidade. Mais policiais é obrigação do Estado.

A senhora tem expectativa de acordo nessa próxima audiência?

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Sim, espero que sim. Isso é um desgaste desnecessário, parece inoperância do Estado.

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