Foram liberadas na sexta-feira as sete pessoas acusadas de fraudar a fila do SUS, presas temporariamente no início do mês no presídio de Caçador, durante a Operação Emergência deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate as Organizações Criminosas (Gaeco), por meio do Ministério Público (MP). Entre os detidos estão médicos, um vereador de Caçador e o ex-assessor parlamentar Selmir Bodanese, acusado pelo MP de ser o principal articulador do esquema, e a mulher dele. Na decisão, o desembargador Carlos Alberto Civinski afirma que por enquanto não há motivos para decretar a prisão preventiva, e que não existem relatos que os investigados tenham tentado contato ou pressão com as testemunhas e vítimas.
Segundo as investigações, os envolvidos recebiam dinheiro para fraudar o sistema de regulação, transformando cirurgias eletivas, aquelas que não envolvem risco de morte, em cirurgias de emergência. Dessa forma, quem pagava ao grupo furava a fila de todos os outros que esperavam honestamente pelo procedimento. A investigação apurou que a maioria das cirurgias acontecia no hospital Maicé, de Caçador. Em nota, a direção geral do hospital disse que está auxiliando nas investigações para apurar as responsabilidades.
Ao todo, nove pessoas foram presas temporariamente na operação. Na semana passada, o diretor do hospital e um médico que estavam envolvidos foram soltos. Com isso, todos os investigados da operação Emergência passam a responder o processo em liberdade, mas não podem ter contato com as testemunhas e precisam se apresentar em juízo a cada 30 dias.
O advogado Johny Marcos Tibes de Souza, que defende o ex-assessor parlamentar Selmir Bodanese e a esposa dele, afirma por meio de nota “que não há qualquer prova que aponte para a conduta delituosa imputada aos acusados, aguardando a conclusão das investigações para saber se será oferecida denúncia pelo MP ou o arquivamento do procedimento, em razão da ausência de provas”.