Não bastasse a quebra na produção de maçã neste ano, os produtores da fruta enfrentam outro problema: o preço médio pago pelo produto. As primeiras empresas a abrirem o mercado nesta última semana estão ofertando o valor médio de R$ 0,67. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Estado (Epagri), esse valor não cobre o custo que os produtores têm na produção.
— Se contar a preparação da terra, os juros sob capital investido na propriedade e mão de obra, o custo chega a R$ 0,80 — comenta Marlon Franscisco Couto, gerente regional.
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A fruticultora Eliane Amaral explica que, com este preço, continuar no ramo se torna inviável. A crise no setor preocupa os produtores da maior produtora de maçã do Brasil, São Joaquim. Hoje são 1940 agricultores que dependem da atividade.
— É inaceitável, e não tem como tocar fruticultura para o próximo ano em São Joaquim. Infelizmente, a maçã ficará no livro da história do município. Estamos pagando para colocar a maçã no cardápio dos brasileiros — lamentou a Eliane.
A região da Serra é a maior produtora da fruta no Estado. De acordo com a Associação dos Produtores de Maça e Pera, são 2.427 produtores que dependem da atividade nas cidades de São Joaquim, Urupema, Urubici, Bom Jardim da Serra e Rio Rufino. Para protestar e reivindicar um valor melhor pago pela fruta, os produtores estão organizando um protesto em São Joaquim segunda-feira, dia em que o município completa 131 anos de emancipação. No ano passado, foram colhidas só na região de São Joaquim 400 toneladas da fruta, para esta safra, a produção deve ser 25% menor, segundo a Epagri. O clima, como a geada fora de época e a alternância de produção (um ano os pomares produzem mais e no outro menos), ajudou na redução das frutas nos pomares.