“A construção civil está buscando mais automação”, diz presidente do Enic 

Compartilhe:

Em clima de retomada do crescimento, acontece em Florianópolis, de amanhã à noite até sábado, no Centro de Eventos Governador Luiz Henrique, o 90º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic). A abertura terá a presença do presidente Michel Temer e de seis ministros. Temas como mercado do setor, automação, política e sustentabilidade serão destaques, informa o presidente do evento Marco Aurélio Alberton, que também preside a Associação dos Sindicatos da Indústria da Construção Civil do Estado (ASICc-SC).

Continua após a publicidade

Confira a entrevista:  

Como será o encontro da construção deste ano?
Esta é a 90a edição não porque tem 90 anos, mas o Enic era feito duas vezes por ano. É um evento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a última edição em SC foi há 10 anos em Joinville. Esperamos reunir mais de 1,5 mil participantes de todo o Brasil, principalmente empresários, executivos, líderes sindicais, estudantes e outras pessoas que atuam no setor. 

Projeções apontam que o setor volta a crescer em 2018. Quais são as perspectivas?
A indústria da construção trabalha com valor agregado alto. O nosso cliente tem que contar com renda. Nos últimos anos, em função da recessão, as pessoas perderam emprego, muitos tiveram que recorrer ao distrato. Este ano, começamos a registrar sinais de melhora. Pesquisa feita pela Fiesc indicou que o setor, no Estado, crescerá 3,3% este ano, mesma média nacional. É claro que temos mercados diferentes em SC. Florianópolis, Balneário Camboriú e Itapema têm produto para o Brasil todo. A região de Chapecó conta com o impulso do agronegócio. As outras cidades dependem mais da retomada econômica. Outro dado positivo é que o setor, em SC, gerou 2.430 novos empregos de janeiro a março. 

A maior confiança do consumidor está ajudando?
Com certeza. Agora, quem está empregado está mais confiante de que vai continuar empregado. Além disso, a Caixa reduziu a taxa anual de juro de 10,25% para 9% ao ano e aumentou para R$ 800 mil o limite para financiamento de imóveis. O presidente Temer deve anunciar nova linha de crédito para imóveis a pessoas com menor renda. Isso aumenta a confiança e facilita vendas. 

No Enic, será lançado o  Construtech Ventures, um fundo para apoiar startups. Quais são as prioridades?
Nos últimos anos, em razão das dificuldades do setor, as empresas tiveram que se ajustar a uma nova realidade: reduzir quadros. Isso teve um lado positivo porque fez com que procurassem alternativas para se manter. Uma alternativa foi criar startups voltadas ao setor. Florianópolis, um polo de tecnologia, já conta com várias dessas empresas. As construtechs são fundos para apoiar essas empresas. Uma das startups, por exemplo, prevê uso de dados para ter distrato zero, outra trata de manutenção de empreendimentos. 

Como está o uso da tecnologia no setor?
A construção civil está buscando mais automação. A revista Exame publicou informação de que o setor será o 9º em aumento de produtividade até 2030 no país. Cita estudo da McKinsey que o nosso setor, de 2015 a 2030 vai crescer 30% em produtividade com mais automação e uso de inteligência artificial. Assim, muitos trabalhadores que hoje estão na construção poderão atuar em atividades mais leves no futuro.  

Continua após a publicidade

 

Leia outras publicações de Estela Benetti