Pressão por um melhor ambiente de negócios, trabalho para oferecer educação de maior qualidade e incentivo ao uso de tecnologia são prioridades da nova gestão do empresário Bruno Breithaupt na presidência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-SC). A posse da diretoria para a gestão 2018-2022 será na segunda-feira, em cerimônia interna na sede do Sesc Cacupé, em Florianópolis.
O senhor está assumindo novo mandato. Quais serão as prioridades na área institucional?
A Fecomércio tem algumas bandeiras. Uma delas são as reformas estruturantes. Nós clamamos pelas reformas tributária, previdenciária, política e a desburocratização para os negócios. A economia precisa crescer, e o setor público precisa diminuir. As contas públicas não fecham mais. O Estado precisa administrar uma gama de empresas que ele pensa que fazem bem para a comunidade e, na realidade, administra mal, causa prejuízos e esquece do principal que é saúde, educação e segurança. As reformas e a privatização das estatais são bandeiras defendidas pela federação.
A entidade fez 70 anos na sexta-feira. O que o senhor destaca de relevante nessa trajetória?
Eu gostaria de enaltecer o trabalho dos presidentes que me antecederam. Quando eu assumi a federação, em 2009, ela já estava profissionalizada. Para mim foi mais fácil continuar na gestão. O que mais a federação se ressentia era de representatividade. Então intensificamos a relação com os empresários do setor. Atraímos mais líderes com a criação de câmaras setoriais. Hoje, temos 11 câmaras e procuramos, intensamente, defender, orientar os empresários com relação aos nossos problemas que enfrentamos, especialmente junto ao poder público. Sempre nos posicionamos de forma veemente, profissional e ética na defesa dos empresários catarinenses.
O que destaca de investimentos realizados pelo Sesc durante a última gestão?
Interiorizamos muito a atuação do Sesc em Santa Catarina. Em algumas cidades, investimos em unidades próprias, em outras, alugamos imóveis. Procuramos empreendedores que construíram nossas unidades dentro do nosso padrão. Só com capital próprio não conseguiríamos interiorizar. Hoje, temos 52 unidades fixas e móveis. O Sesc realizou 7,3 mil matrículas na educação básica, e de jovens e adultos ano passado. Outro aspecto: investimos em unidades que tinham necessidade da nossa presença, que atingiriam um grande número de comerciários.
E para o Senac?
Trabalhamos da mesma forma para o Senac. Além de unidades novas com recursos próprios, alugamos prédios dentro do perfil que necessitávamos. Reduzimos a intensidade porque a educação sofreu mais do que outros setores. As mudanças no Fies e no Pronatec exigiram redução no quadro de funcionários. O setor educacional passou por uma crise maior do que outros setores nos anos de 2015 e 2016. Tivemos no ano passado 9,9 mil matrículas em 29 unidades.
Quais são os principais números do setor?
O nosso setor é o mais representativo para o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Somos mais de 641 mil empresas que respondem por 65,3% do PIB de SC, 52,9% da arrecadação tributária do Estado e por 63,9% dos empregos formais, o que dá um total de 1,38 milhão de vagas e uma massa salarial de R$ 23 bilhões (dados de 2015). O orçamento do Sistema Fecomércio SC neste ano é de R$ 480 milhões, sendo R$ 300 milhões do Sesc e R$ 180 milhões do Senac. Em 2017, oferecemos 51.194 matrículas em educação profissional no Senac prestamos 396.766 atendimentos pelo Sesc.
A entidade é uma das que aderiram ao Movimento Santa Catarina pela Educação. Esse trabalho vai continuar?
Intensificamos investimentos em educação, tanto pelo Sesc quanto pelo Senac. Entendemos que só vamos mudar o país se investirmos maciçamente em educação. Foi o que aconteceu em Cingapura e na Coreia do Sul. Há 35 anos eram países arrasados e agora são de ponta, se destacam em inovação no mundo. Fizemos missões internacionais buscando essas informações. Ampliamos mais os investimentos pelo Sesc, que hoje atende desde creche até o ensino médio integral. Também fizemos uma parceria com o Senac. Essa parceria Santa Catarina pela Educação vai continuar. Temos mostra de que é um trabalho está tendo muito resultado.
Como a tecnologia impacta no setor?
É fundamental. O nosso Estado se destaca com startups em diversas cidades. Elas estão promovendo uma revolução em inovação e essas soluções estão beneficiando o comércio, que está absorvendo muitas inovações nos negócios, promovendo maior produtividade. Isso ajuda as empresas a sobreviverem nessa época de mudanças significativas. A tendência é o uso maior da tecnologia, tanto no e-commerce quanto para lojas físicas. Incentivamos isso ao setor, principalmente mostrando as tendências mundiais.
Quanto caiu a receita com a reforma trabalhista?
Os sindicatos patronais do setor perderam 85% da receita de imposto sindical. Nós também perdemos receita na federação. Tivemos que rever contratos porque o impacto na receita foi uma redução da ordem de 30%. Estamos fazendo mais com menos. Renovamos contratos e nossos colaboradores conseguiram reduzir despesas sem prejuízos dos serviços prestados. Eu sou favorável à reforma. Os sindicatos que não prestarem serviços, não estiverem próximos das suas categorias, vão desaparecer.
A Fecomércio SC tem um forte trabalho na área legislativa. O que destaca?
Na medida provisória (MP) 220, sobre a isenção do ICMS para a indústria, nós trabalhamos para evitar essa mudança porque elevaria o custo dos produtos aos consumidores. Temos uma agenda legislativa e também em cada projeto que afeta o setor nós fornecemos informações aos parlamentares para embasar suas decisões para que seja aprovado o melhor projeto de lei, porque uma vez o projeto aprovado é mais difícil rediscutir. Temos que coibir ações que dificultam a vida dos empresários. O setor que vai ser afetado precisa ser ouvido.