Até pouco tempo, a maioria das empresas valorizava profissionais mais jovens porque esses sabem mais usar tecnologias digitais. Mas a chegada da inteligência artificial trouxe um novo movimento global: a volta da valorização de profissionais mais experientes, muitos com mais de 50 anos, porque a IA disponibiliza uma série de dados e informações e as empresas precisam tomar decisão de gestão com base neles.
Essa tendência é destacada pela presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Leyla Nascimento, que foi presidente da Federação Mundial das Associações de Gestão de Pessoas (WFPMA) entre 2018 e 2020. Em entrevista para o NSC Total durante o Congresso Nacional de Gestão de Pessoas (Conarh 2026), nesta quinta-feira, ela afirmou que esse movimento, que está envolvendo a maioria das carreiras, começou e acontece com mais intensidade nos países onde a inteligência artificial é mais utilizada, que são os Estados Unidos e a China.
“A inteligência artificial, até por conta de muitos dados, muitas informações e tomada de decisão, está fazendo as empresas trazerem de volta pessoas mais experientes. Pessoas que têm mais de 50 anos. Por quê? Porque são esses profissionais os mais preparados para analisar cenários e tomar decisões”, afirma Leyla Nascimento.

A empresária, que foi a primeira mulher a presidir a Federação Mundial das Associações de Gestão de Pessoas e segue com elevada interlocução internacional no setor, disse também que os profissionais brasileiros da área de recursos humanos estão tão bem-preparados para a tomada de decisões quanto os de países desenvolvidos. Observou que isso ficou claro em evento recente com a participação da consultoria Mckinsey em Milão.
De acordo com Leyla Nascimento, um novo desafio, agora, é a requalificação de pessoas. O setor de recursos humanos do Brasil está conseguindo se adaptar a todas essas transformações com uma velocidade até maior e mais flexibilidade do que os de outros países, observou a empresária.
