Nas últimas semanas, algumas unidades de agroindústrias brasileiras passaram a enfrentar dura cobrança de Ministérios Públicos Estaduais sobre ocorrência de casos positivos de coronavírus. Em algumas cidades de outros Estados, frigoríficos foram fechados por 14 dias. Os crescentes casos na região de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, têm sido atrelados ao setor e recebido atenção do Ministério Público.
Mas o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), José Antônio Ribas Junior, contesta essa conexão e afirma que o setor segue normas rígidas de segurança, as mesmas incluídas em protocolo conjunto divulgado nesta quinta-feira pelos ministérios da Saúde, Agricultura e Economia.
– Essa conexão com os frigoríficos é infeliz, injusta e, por vezes, sustentada por números em que o Ministério Público não tem o devido conhecimento, o que tem gerado uma conturbação na avaliação. Muitas vezes, os números não representam a realidade. A gente tem feito um trabalho muito próximo das secretarias municipais e é injusta essa conexão com frigoríficos – afirma Ribas.
Ele observa que, se não querem olhar com lupa para ter compreensão exata, que pelo menos façam uma análise mais global, que também mostra isso. Ribas argumenta que os municípios com maiores casos de positividade não sãos os que têm agroindústrias e muitos que sediam agroindústrias sequer têm algum caso. Para ele, também é injusto afirmar que o eixo Ipumirim-Concórdia de casos de Covid-19 possa ter sido construído a partir de problemas na indústria.
– Quando o ministério público afirma: nós estamos preocupados com a saúde das pessoas eu respondo com muita contundência, que nós, além de preocupados, estamos tomando ações que discutimos com todas as agroindústrias relevantes, compartilhamos as práticas de prevenção e isso permitiu a elaboração de um documento que orienta o setor – assegura ele.
O presidente da Acav afirma também que os frigoríficos já seguiam uma série de normas de segurança e, agora, com a pandemia, foram adotadas medidas ainda mais rigorosas. Elas incluem recomendação para ficar em casa se estiver doente, o dobro de ônibus para manter a distância entre as pessoas, medição de temperatura, higienização na empresa, uso de equipamentos de proteção individual e outras.
– O que estamos fazendo é estender o ambiente de cuidados da empresa para o transporte e fazer com que o trabalhador entenda que isso tem que se estender para a vida pessoal dele. Se fica um terço do dia na empresa e dois terços com familiares, ele pode se contaminar no ambiente familiar. O vírus não nasce dentro de um abatedouro, ele tem que ser levado para lá – alerta Ribas.
Questionado se em Santa Catarina pode ocorrer problema semelhante ao dos Estados Unidos, onde frigoríficos foram fechados e, em função do ritmo constante da cadeia produtiva, suínos recém nascidos foram sacrificados, Ribas disse acreditar que não. Segundo ele, são realidades diferentes. Mas também nos EUA, o problema da Covid-19 não foi nos frigoríficos, mas nas cidades onde estão instalados.
Orientação conjunta federal
Nesta quinta-feira, os ministérios da Saúde, Agricultura e Economia, editaram um protocolo com orientação conjunta sobre normas de segurança a serem seguidas pelo setor de alimentos no ramo da agroindústria para evitar o coronavírus. É a Orientação Conjunta n' l/STRAB/SEPRT-ME/SPA-MAPA/SVS-MS
Segundo José Antônio Ribas, as normas foram definidas por especialistas do governo federal, com a colaboração de consultores do setor privado, incluindo o Hospital Albert Einstein, de São Paulo. Ele diz que o setor, em Santa Catarina, já adota essas regras e, agora, com a publicação, empresas do setor de todo o país terão acesso ao documento e mais facilidade para cumprir as orientações.
