Agronegócio de SC tem dificuldades com preços baixos de carnes e alta do frete para exportar devido à guerra

Agropecuária catarinense enfrenta custos maiores de fertilizantes e baixos preços dos produtos, o que dificulta pagamento de dívidas

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Um dos preços baixos que mais preocupam o agro catarinense é o da carne suína no mercado interno (Foto: Sirli Freitas, NSC BD)

O agronegócio, que tem impulsionado o crescimento do Brasil e também de Santa Catarina nos últimos anos, passa por mais um período de turbulências. Em SC, o setor enfrenta preços baixos para venda de produtos como carne suína e carne de frango, além de milho, soja e arroz. Ao mesmo tempo, enfrenta pressão de custos maiores de combustíveis, fertilizantes e fretes para exportar em função da guerra no Oriente Médio. Além disso, está mais endividado pela combinação de preços baixos e juros altos.   

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Este é um cenário destacado por grandes organizações cooperativas de Santa Catarina. Neivor Canton, presidente da Aurora Coop, central cooperativa que tem 89 mil associados não só no estado, mas também no Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, observa que o frete marítimo ficou até 70% mais caro para exportar para a região do Oriente Médio.

Os embarques para essa região do Golfo Arábico são impactados pela oferta menor de navios, custo do diesel e taxa de guerra, que é variável na região. Mas é importante exportar para equilibrar mais os preços no mercado interno.  

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– Temos necessidade exportar mais para que o mercado interno não fique tão ofertado. Mesmo assim, está super ofertado. As carnes, no mercado interno, estão com preços em patamares abaixo do que seria a necessidade para que pudéssemos recuperar margens que não estão satisfatórias – afirma o presidente da Aurora Coop, Neivor Canton.  

O maior desafio é a venda da carne suína porque ela está com preços baixos no mercado interno tem um ciclo produtivo mais longo, de cerca de nove meses. O preço do frango também está baixo na avaliação do setor, mas é possível fazer ajustes reduzindo a oferta porque o ciclo de produção é menor, de 45 dias a 60 dias.  

As dificuldades do agro estão também na produção dos grãos, devido ao maior custo de fertilizantes que, em função da guerra, subiram até 70% este ano. O presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro), Arno Pandolfo, diz que a organização, que tem fábrica de fertilizantes em SC e no Rio Grande do Sul, já importou até 70% da sua necessidade para este ano.

Mas ele alerta que os preços no mercado estão até 80% mais caros, dependendo do produto e que a oferta está irregular. Ele reconhece que existe o risco de produtores ficarem sem fertilizante para plantar a safra 2026-2027.

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Lideranças do agronegócio participaram sábado (01) da 17ª Festa da Imprensa Catarinense, em Chapecó. Elas reconheceram também que as empresas e propriedades agrícolas estão mais endividadas em Santa Catarina, a exemplo do Brasil, devido aos preços baixos de produtos vendidos enquanto os juros seguem altos.

Fontes do setor no evento informaram que o endividamento afeta produtores de todos os portes e que é preciso que o governo federal proponha negociações em condições acessíveis para o pagamento de débitos nos próximos anos.