Um dos grandes desafios do vencedor da eleição presidencial brasileira neste domingo está na área econômica, com a elevada dívida pública federal e o endividamento das famílias e empresas. Para Philipe Moura, diretor de Estratégia para a América Latina do Eurasia Group, tanto o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, quanto o candidato Flávio Bolsonaro, se vencerem, terão que fazer ajustes importantes em 2027. Mas uma eventual vitória de Flávio pode resultar em aprovação mais rápida de medidas econômicas na avaliação da Eurasia.
Philipe Moura foi palestrante, nesta sexta-feira, da Jornada de Conhecimento ExpoGestão 2026, realizada no auditório do hotel Mercure Itajaí Navegantes, em Itajaí, Santa Catarina. Segundo ele, existe um cenário herdado com muitos fatos econômicos relevantes.
“Se ganha o presidente Lula, o próprio presidente e sua equipe econômica, mas também a liderança do partido, reconhecem a importância de se aprovar alguma reforma. Provavelmente essa reforma doeria na carne do próprio partido e dos seus eleitores, ou seja, mexeria em programas sociais, muito provavelmente, na indexação do BPC (Benefício de Prestação Continuada), um projeto que está sendo discutido lá dentro, que deve tratar parte das dores do crescimento de gasto público no cenário de longo prazo no Brasil”, afirmou Philipe Moura.
De acordo com o diretor do Eurasia Group, na eventualidade de reforma do governo do presidente Lula, haverá uma diminuição das taxas de juros, mas em ritmo lento.
“Se vencer o candidato Flávio, nós teremos um cenário de busca de atratividade de investimento estrangeiro, uma pauta de desregulamentação, como fez o seu pai no governo anterior, mas com um conjunto de aprendizados. Ele já traz, não só os aprendizados dos quatro anos de seu pai, mas também dos quatro anos trabalhando na oposição. Então, somando a isso, o alto interesse, a alta força que a direita ganhou nas eleições do Congresso, tanto na Câmara, mas principalmente no Senado, o Flávio teria mais conforto do que o seu opositor na aprovação dessas reformas mais dramáticas”, avalia Philipe Moura.
O analista da Eurasia destaca que a equipe econômica de Flávio tem falado em um corte de gastos públicos na casa entre R$ 200 bilhões e 300 bilhões. Observa que eles ainda não detalharam o que isso significa, por isso esse número não deve ser tratado como crível. Mas pode-se concluir que existe uma direção na reforma de gastos, na reforma fiscal que é mais crível na perspectiva dos investidores.
Sobre projetos aprovados que podem ter impacto na economia brasileira, ele cita o Redata (para tecnologia), a Política Nacional de Minerais Críticos, que foi aprovada há pouco tempo mas ainda carece de regulamentação e o o PL 2338 de inteligência artificial, que também vai ser muito importante na pauta econômica do ano que vem.
