O anúncio da americana Boeing de suspender o acordo com a Embraer e, assim, se livrar de uma aquisição de US$ 4,2 bilhões (mais de R$ 23 bilhões) surpreendeu e desagradou a companhia brasileira. A alegação da Boeing foi de que a decisão foi tomada porque a brasileira não cumprir sua parte na burocracia do processo, o que a Embraer nega.
Mas a mídia americana destaca que pesaram para a decisão as crises enfrentadas pela Boeing. A empresa teve perdas devido ao fracasso do avião 737 Max, por isso fechou 2019 com prejuízo de US$ 636 milhões. Além disso, agora tem a crise do coronavírus, muito maior, que implicou numa série de pedidos de suspensão de contratos e com o fato de a pandemia atingir o setor de viagens, o que desvaloriza o negócio no curto e médio prazo.
A Embraer terá que encontrar solução para custear investimento de quase meio bilhão de reais que fez para fazer essa fusão com a americana, mas tem a sua força de mercado. É a terceira maior companhia aérea do mundo, tem alta credibilidade e em função da crise mundial, a venda de jatos menores, que é o seu forte, pode ser mais atrativa. Ela poderá obter recursos no Brasil ou buscar um sócio internacional, onde os mais cotados são os chineses.
Santa Catarina tem interesse especial no êxito da Embraer porque, além de ser uma forte companhia brasileira, conta com um centro de engenharia e tecnologia em Florianópolis, onde engenheiros pesquisam sistemas de automação aeronáuticos, tecnologia que é estratégica para esse tipo de industria. Além disso, a Embraer e a WEG estão pesquisando tecnologias para o lançamento de avião movido totalmente à eletricidade. A Fundação Certi, da Capital, também é parceira da Embraer em projetos de pesquisas. A expectativa é de que todos esses projetos continuem por serem em inovação estratégica.
