Depois de muitas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os venezuelanos viram a deposição do presidente Nicolás Maduro sábado (03) por meio de uma captura militar das forças americanas. No início, a sinalização de mudança do governo motivou esperanças à população, mas neste domingo a posse da vice-presidente Delcy Rodríguez por meio de um acordo prévio com os Estados Unidos, trouxe de volta o cenário de que a crise econômica pode continuar e manter o fluxo migratório de saída do país.
O governo de Maduro estava fazendo a economia retroceder, resultando em desemprego, miséria e fuga da população. De acordo com as Nações Unidas, quase 8 milhões de venezuelanos deixaram o país na última década. Alguns analistas do país apontam um número ainda maior, de 10 milhões de migrantes.
A forma como o governo Trump capturou maduro, uma invasão sem respeitar normas do direito internacional, gerou preocupações relevantes para a maioria dos governos do mundo, em especial da América Latina. Foram citados a Colômbia e Cuba como potenciais futuros alvos.
Após dizer que os EUA administrariam a Venezuela, Trump informou apoio para o governo interino da vice-presidente, que atuará sob orientação do governo americano. Disse também que empresas americanas voltarão a investir em exploração de petróleo no país e outros países que quiserem o produto poderão comprar delas.
A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo, estimada em 300 bilhões de barris, mas pouco exploradas. O país é o 18º produtor mundial. Embora os EUA também sejam grandes produtores, o controle da Venezuela permitiria controlar também o preço do petróleo no mundo, um insumo ainda estratégico para energia e mobilidade apesar dos avanços de tecnologias para reduzir o aquecimento global.
Os últimos governos ditatoriais venezuelanos usaram o poder do petróleo para controlar a população, ampliando a chamada “maldição do petróleo”, uma riqueza que gera, na prática, pobreza à economia e à população.
No momento que os EUA tiraram Maduro, muitos venezuelanos festejaram, acreditando que o país poderá voltar à democracia e retomar crescimento econômico. Mas diante das declarações de Trump de que o foco é o controle do petróleo, a situação para a população poderá continuar como está.
Os venezuelanos têm preferido migrar para países que falam o idioma espanhol. Mas segundo o G1, desde 2015, Pacaraima, em Roraima, cidade do Brasil que faz fronteira com o país registrou a entrada de mais de 1,1 milhão de imigrantes da Venezuela. Os dados são do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra).
Uma parte dos que entram no Brasil é convidada a vir para trabalhar em Santa Catarina. Dados da Polícia Federal apontam que nos últimos seis anos, o estado recebeu quase 49 mil migrantes do país, muito necessários para uma economia com pleno emprego. Enquanto durar a crise por lá, o mercado de trabalho do Brasil se beneficia da vinda dos venezuelanos. Mas o importante seria a Venezuela, que tem uma população qualificada e trabalhadora, poder desenvolver todo o seu potencial econômico.
