Diante da expectativa de eventos climáticos intensos em função do El Niño neste ano no Brasil, com previsões de enchentes para a Região Sul, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) orienta o setor industrial do estado para importância da adoção de medidas preventivas. Esse tema foi debatido em reunião na entidade, na qual também foi apresentado o Guia da Indústria para adaptação à mudança do Clima, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Fiesc, José Lourival Magri, alertou aos empresários que a gestão dos riscos climáticos precisa ser incorporada à estratégia dos negócios.
Ele explicou que essa estratégia não deve se limitar ao que acontece dentro das indústrias. É preciso considerar toda a cadeia de valor das empresas, incluindo também fornecedores, logística, distribuidores e consumidores.
Entre os riscos climáticos que as empresas precisam avaliar e definir prevenções estão inundações, deslizamentos, ventos intensos, incêndios e falta de água.
De acordo com o guia elaborado pela CNI, entre os setores industriais altamente expostos à dependência de recursos naturais e com infraestrutura vulnerável estão os de alimentos e têxtil, que são fortes em Santa Catarina. Outro setor que enfrenta alto risco no Brasil é o de óleo e gás. Empresas em regiões costeiras também estão mais vulneráveis.
Entre as medidas preventivas gerais recomendadas estão reforçar a infraestrutura, diversificar fontes de energia, fazer planos de contingência. No caso do agro, que inclui produção de algodão ao setor têxtil e alimentos, entre as recomendações estão também uso irrigação eficiente e de fertilizantes que regeneram plantas.
O presidente do conselho da Fiesc destaca que a adaptação das indústrias com adoção de medidas preventivas pode reduzir perdas, proteger investimentos e fortalecer a competitividade.
O guia estratégico da CNI destaca ainda que o Brasil enfrentou aumento de desastres climáticos nas últimas décadas. De 1991 a 2023, foram 64 mil registros, impactando vários setores industriais.
Entre as lideranças que participaram do encontro esteve o secretário de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde, Guilherme Dallacosta. Ele destacou que a adaptação para enfrentar os problemas climáticos requer integração das políticas públicas e o planejamento das empresas. Porque os eventos extremos afetam diversas atividades econômicas.
Além das medidas preventivas recomendadas, uma prevenção que deve ser adotada, se possível, é fazer seguro das instalações e equipamentos. Assim, no caso de um evento extremo, as perdas podem ser parciais.
