A Engie Brasil Energia, em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), do Rio Grande do Sul, realizou projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para identificar como aerogeradores são mais eficientes. O estudo, com uso de inteligência artificial, foi no Conjunto Eólico Campo Largo, na Bahia. A conclusão foi de que para gerar mais energia, os aerogeradores devem estar de frente para o vento.
Os aerogeradores precisam se mover continuamente, ajustando suas posições para que se mantenham de frente para o vento. Se estiverem desalinhados, podem reduzir de forma expressiva a geração de energia e aumentar o desgaste mecânico dos componentes do equipamento.

O projeto, que recebeu investimento de R$ 700 mil, começou em dezembro de 2025 e foi concluído agora. A apresentação dos resultados foi em workshop na sede da Engie, em Florianópolis, nesta sexta-feira (18).
A Engie explica que o estudo avaliou o desempenho de um algoritmo desenvolvido por ela para identificar automaticamente desvios na orientação das turbinas em relação à direção do vento.
Segundo a empresa, para avaliar os resultados foi utilizada a tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging / Detecção e Medição por Luz), técnica de sensoriamento remoto que utiliza pulsos de laser para medir distâncias e mapear objetos ou fenômenos com alta precisão, possibilitando medidas diretas de direção e velocidade do vento.
Inédito no Brasil, esse estudo comparou diferentes tecnologias LiDAR em um ambiente operacional real. Assim, é uma avaliação que supera outras baseadas apenas em simulações ou testes laboratoriais.
“A iniciativa reforça o papel estratégico da inovação para a competitividade do setor elétrico. A inovação é um dos principais motores para aumentar a eficiência e a sustentabilidade da geração renovável. Projetos de PD&I como este demonstram como a colaboração entre empresas e universidades pode transformar conhecimento científico em soluções práticas, capazes de gerar valor para os negócios e para toda a sociedade”, ressalta Guilherme Slovinski Ferrari, diretor de Energias Renováveis e Armazenamento da Engie Brasil.
Alinhamento melhora geração
O sistema responsável por orientar a rotação da turbina, o yaw, está desalinhado quando o aerogerador não aponta corretamente para a direção do vento recebido. Nesse caso, ocorre redução da produção de energia e aumenta o desgaste mecânico dos componentes.
A identificação rápida e precisa desse problema permite reduzir custos de operação e manutenção. De acordo com a gerente do projeto, Camylla Amorim, os resultados demonstram o potencial da solução para gerar ganhos concretos de desempenho nos parques eólicos.
“Além de validar o algoritmo desenvolvido pela Engie, conseguimos quantificar os benefícios da correção dos desalinhamentos. Em um dos aerogeradores avaliados, que apresentava um desvio de 17 graus, a correção resultou em um ganho de aproximadamente 9% na geração anual da turbina. Os resultados mostram como o uso inteligente dos dados pode contribuir diretamente para aumentar a eficiência operacional dos ativos”, explicou Camylla Amorim.
Ajuste em todo parque eólico
Com base nos resultados obtidos, a Engie iniciou ajustes nos demais aerogeradores do parque eólico que apresentaram desvios identificados pelo algoritmo.
A expectativa da empresa é alcançar ganho de cerca de 2,3% na geração anual de todo o parque, resultado equivalente à incorporação de praticamente três novos aerogeradores ao empreendimento, sem a necessidade de expansão física da instalação.
“Este projeto confirma que a combinação entre dados operacionais, tecnologias avançadas de medição e conhecimento analítico pode gerar resultados expressivos para a geração renovável. Além dos ganhos energéticos, desenvolvemos competências técnicas, procedimentos e conhecimentos que poderão ser replicados em outros empreendimentos da companhia”, afirma o gerente de Gestão da Performance e Inovação da Engie, Mario Wilson Cusatis.
Mais de 10 mil aerogeradores
O Brasil tem mais de 10 mil aerogeradores em atividade. Caso essa solução seja adotada por todos os parques eólicos, será possível ter um salto em eficiência no setor. Essa pesquisa também colaboradora para que os aerogeradores tenham vida útil maior e ajudem, mais tempo, para a energia ser mais sustentável no país.
Segundo a companhia, essa pesquisa também ampliou a formação de especialistas no Brasil. Ele motivou pesquisa de mestrado em andamento e apresentações em workshops internacionais. Isso fortalece a imagem do país na produção científica.
