Cooperativas do Brasil somam receita de R$ 848 bilhões e projetam a marca histórica de R$ 1 trilhão

Setor cooperativo se destaca por gerar prosperidade com foco no longo prazo

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A presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, que é catarinense, destaca que o setor cooperativo cresce com resultados positivos para as pessoas (Foto: Divulgação)

As cooperativas do Brasil somaram receita de R$ 848,4 bilhões em 2025, valor 12% maior frente ao do ano anterior, de acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026 divulgado pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) nesta sexta-feira (31). Apesar dos desafios constantes, o setor mira a histórica marca de R$ 1 trilhão de receita que pode ser alcançada em dois anos – no final de 2027 – caso seja mantido o atual ritmo de crescimento.

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De acordo com o anuário, no final de 2025 o setor alcançou 29 milhões de cooperados, alta de 12,5% frente ano anterior. Além do crescimento das receitas (também chamada de ingressos), os lucros, que são denominados ‘sobras’ pelo setor, somaram R$ 61,3 bilhões, com crescimento de 14,2% em 2025 frente ao ano anterior. Outro destaque relevante são os empregos diretos, que chegaram a 613.375 em 2025.

– Enquanto o emprego formal do país cresceu 2,7%, o cooperativismo avançou 6,1%. Essa empregabilidade nos orgulha muito porque é a cooperativa lá na ponta gerando prosperidade – afirma a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, que é catarinense e primeira mulher a presidir essa organização.  

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Entre os grandes números do setor destacados no anuário estão também R$ 1,6 trilhão em ativos, com crescimento de 14,9% no ano de 2025, um total de R$ 122,7 bilhões de capital social integralizado e R$ 20,4 bilhões de tributos recolhidos.

Sustentabilidade e perenidade

O setor cooperativo brasileiro é integrado pelos ramos agropecuário, crédito, saúde, consumo, infraestrutura, transporte, trabalho e produção de bens e serviços. E acaba de ser aprovado o ramo de seguros. Uma das novidades de 2025 foi o crescimento no número de cooperativas no país de 4.384 para 4.400.

“Esse crescimento é importante, mas o que nós praticamos e referendamos é ter cooperativas sólidas, sustentáveis e perenes”, enfatiza Tania Zanella.

A presidente ressalta também a força da união das pessoas no cooperativismo e do papel dele no desenvolvimento econômico e social. Ela citou o exemplo da Aurora Coop, de Santa Catarina, que tem no seu quadro de associados milhares de pequenos agricultores.

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“Eu posso ciar a Aurora, de Santa Catarina que é uma super cooperativa, uma super central, mas que tem no seu quadro associativo 80% de agricultores familiares. São quase 100 famílias associadas. Esse é o propósito do cooperativismo, agregar valor e mostrar para esse pequeno que ele pode acessar, inclusive, grandes mercados com exportações”, diz Tania Zanella.

O setor cooperativo brasileiro obteve em 2025 receita de US$ 17,4 bilhões com exportações. Conta com 140 cooperativas que exportam, mas 10 responderam por 67% do total.

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Agropecuária tem maior peso

As cooperativas agropecuárias seguem como as que tem maior peso nos resultados do setor no Brasil. De acordo com o anuário, elas somaram receita de R$ 487,3 bilhões, sobras (lucros) de R$ 29,25 bilhões e seguiram liderando empregos diretos com um saldo de 277.226 postos de trabalho e expansão de 2,3% no ano.

“O ramo agropecuário é o líder em ingressos. Mais da metade (57,4%) está concentrado nas cooperativas agropecuárias, com um crescimento de 11% em relação ao ano anterior”, destaca Clara Maffia, gerente-geral do Sistema OCB.

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Ramo de crédito atrai mais associados

O ramo de cooperativismo de crédito segue com crescimento acelerado, em especial no número de associados. Dos mais de 29 milhões de cooperados do Brasil, 22,9 milhões são desse ramo.

De acordo com Clara Maffia, o ramo de crédito está praticamente dobrando de tamanho a cada quatro anos. Isso é positivo porque amplia acesso a serviços financeiros, incluindo mais pessoas no país.