Na lista de pontos comuns entre o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump estão o populismo, a necessidade de estar sempre no topo das redes sociais porque estão em permanente campanha para reeleição e uma sucessão de erros no enfrentamento à maior pandemia dos últimos 100 anos.
Trump, que disputa reeleição no final deste ano, passou a entender o peso da pandemia, lidera as entrevistas coletivas sobre o coronavírus, divulga informações das ações do seu governo errando ou acertando, se mantém em evidência e conquistou popularidade recorde.
Bolsonaro, por sua vez, que pretende disputar reeleição em 2022, a exemplo do colega norte-americano começou desprezando o perigo do coronavírus mas continuou com esse foco, mesmo mostrando um leve reconhecimento da ciência em determinado momento. Além disso, decidiu fazer alguns passeios em ambientes públicos contrariando normas de isolamento, ao invés de, a exemplo de Trump, ir nas entrevistas coletivas falar de ações do seu governo frente à pandemia e passar a respeitar as orientações dos cientistas.
Essa função de divulgar as ações, ele deixou livre para o então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que adotou recomendações da Organização Mundial da Saúde, falou sobre o que estava sendo feito pelo ministério e conquistou 76% de aprovação popular. Isso permite concluir que Bolsonaro, na sua estratégia de ficar em evidência, perdeu oportunidades de comunicação e, depois, colocou a culpa em Mandetta.
E agora com o ministro Nelson Teich como vai ser? Bolsonaro vai sair à rua contrariando regras de segurança frente ao vírus? Teich dará entrevistas ao lado do presidente ou com sua equipe? Vai virar uma nova estrela e terá que ser demitido logo mais? Vai insistir na retomada da economia de um modo geral como faz Bolsonaro ou vai seguir a OMS? As respostas teremos nas próximas semanas.
É triste e perigoso um país em desenvolvimento, com mais de 200 milhões de habitantes e um sistema público de saúde que sempre deixou muito a desejar, ter problemas políticos desse porte em meio a uma pandemia grave. Ainda bem que o Brasil tem os governadores, os prefeitos, o Congresso Nacional e a Justiça em várias instâncias para proteger a população, viabilizando decisões mais racionais.
Na prática, o que se espera é que Nelson Teich siga a ciência e que a retomada de atividades econômicas seja feita com o cuidado necessário para não gerar diversas ondas dessa pandemia. Também se espera do governo federal e do Congresso mais pressa nas decisões sobre ajuda econômica porque muito dessa crise, com desemprego em massa, ocorre porque a ajuda econômica demorou e está demorando.
