Coronavírus: em tempos extremos é preciso pensar coletivo

Compartilhe:

Entregador de comida trabalha com sua bicicleta em Nova York. (Angela Weiss / AFP)

Os microrganismos sempre representaram uma ameaça para a humanidade. Foi um vírus, o H1N1, que causou a gripe espanhola em 1918 e matou 50 milhões de pessoas no mundo. Era porque tinha medo de ser contaminado por germes que o milionário americano Howard Hughes, interpretado pelo ator Leonardo DiCaprio no filme "O Aviador", se isolava em casa tomando apenas leite. Nas últimas décadas, essas ameaças biológicas sempre foram mais lembradas por cientistas e ignoradas pelos demais cidadãos. Agora, um tempo extremo voltou, o mundo vive uma realidade nunca imaginada, cada um isolado em casa para fugir do novo coronavírus.

Continua após a publicidade

A prioridade é a saúde, a rigorosa prevenção, porque as previsões dos especialistas são duras, de contaminação de 80% das pessoas embora apenas um percentual bem menor ficará doente. Por isso, foram anunciadas medidas restritivas rígidas pelo governo catarinense na última terça-feira, dia 17. O foco é a saúde, cuidar dos doentes, liberar hospitais para isso. Na economia, com atividade parada, o objetivo é atravessar a tempestade com sobrevida, mesmo com perdas por todos os evolvidos.

Mas o fato de o governo estadual não anunciar ao mesmo tempo medidas de proteção suficiente às empresas deixou algumas, do setor de bares e restaurantes de Santa Catarina, desesperadas com a situação. Fizeram as contas, viram que tinham equipe grande sem trabalhar e já iniciaram demissões. Foram alguns dos primeiros desligamentos noticiados no país em função da Covid-19.

Continua após a publicidade

O que se espera é que isso não seja uma tendência e mais empresas consigam preservar postos de trabalho, com ou sem a ajuda de governos.

Serviços fechados

Muitos empresários se assustaram diante da necessidade de fechamento iminente de todo o comércio para enfrentar o inimigo invisível, o coronavírus. Na Federação das Empresas de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-SC), que representa a maior parte das empresas do Estado, a busca de informações foi grande. O gerente jurídico, Rafael Arruda, explicou aspectos judiciais e outros. A preocupação com a continuidade dos empregos é uma das prioridades.

– Empresários mostraram preocupação generalizada e com muito medo do que vem pela frente – disse Arruda.

Saúde na indústria

Ao comentar o decreto do governador Carlos Moisés (PSL) sobre a parada geral de atividades para enfrentar o coronavirus, o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, disse que a entidade se mantém solidária e atuante para defender a saúde da população e preservar os empregos e as empresas. Sem empregos e empresas, a economia não terá base para retomar depois da crise, explica ele.

Continua após a publicidade

A indústria que atende demandas do coronavírus e a indústria de alimentos seguem operando. O industrial também defende medidas imediatas de apoio ao setor produtivo, para que a maioria das empresas continue.

Ciasc e a pandemia

Como a orientação nestes tempos de coronavírus é trabalhar de casa se possível, o Ciasc, estatal catarinense responsável por todo o setor de tecnologia que atende o governo, está com trabalho extra. Montou uma força tarefa para que os servidores possam trabalhar remotamente no período que durar essa crise. Foi necessário fazer uma rede especial para os serviços que são reservados, ou seja, só alguns servidores podem ter acesso.

Continua após a publicidade

Funcionários com 60 anos ou mais e os que têm idoso em casa também estão no home office.

Comitês de crise

Todo mundo sabia que o coronavírus chegaria ao Brasil e trancaria o país dentro de casa, como faz no mundo todo. Chamou a atenção em SC o fato de as entidades empresariais estarem mais articuladas para buscar soluções, todas logo criaram um comitê de crise próprio. Mas, em uma pandemia, se espera mais do setor público e esse agiu bem menos rápido.

Continua após a publicidade

Negócios virtuais

O coronavírus promete ser uma oportunidade para um salto expressivo do mundo virtual, com vendas, ofertas de serviços, cultura e entretenimento pelo smartphone. Para o empresário Lidomar Bison, que atua com startup voltada ao desempenho do varejo, esse fechamento do comércio físico e dos serviços será oportunidade para alguns setores se destacarem. Ele acredita que empresas de SC estão preparadas.

TED de Bill Gates

A chegada do coronavírus ao Brasil também motivou a disseminação de um TED (palestra) do fundador da Microsoft, Bill Gates, no qual ele dizia, em 2015, que a maior ameaça de catástrofe para a humanidade, que mataria cerca de 10 milhões de pessoas, não seria nuclear. Mas, sim, uma ameaça biológica, ou seja, um vírus.

Continua após a publicidade

Aniversário sem público

Entre as centenas de eventos cancelados em Santa Catarina em função do coronavírus, um era a festa de aniversário de dois anos do Multi Open Shopping, no Sul da Ilha de SC, em Florianópolis. Pioneiro na região e inaugurado dia 23 de março de 2018, o shopping celebraria dois anos para marcar maturidade, com 80% de ocupação e referência na região. Os empreendedorese Sabrine Quarezemin e Octavio Goldhirch estavam prevendo ocupação de 100% neste ano, mas pode ser difícil porque chegou a Covid-19 e mudou as expectativas de todos. O comércio catarinense, incluindo os shoppings, fechou na última quarta-feira.