A decisão do Banco Central do Estados Unidos de fazer mais um corte de juro em pleno domingo, reduzindo as taxas do intervalo de 1 a 1,25% ao ano para zero a 0,25% ao ano é um indicativo de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC) deve baixar a taxa básica de juros brasileira, a Selic, hoje em 4,25% ao ano. A pressão dessa decisão sobre o dólar pode exigir mais cautela.
A maioria dos analistas acham que o corte pode ser de 0,5 ponto. Mas diferente dos Estados Unidos, a economia real do Brasil enfrenta juros muito mais elevados, empresas com dificuldde de acesso ao crédito e tem muitos empreendedores formais ou informais que não têm acesso ao setor financeiro formal. O governo brasileiro deveria definir medidas para reduzir juros reais, facilitar o crédito e estudar algum tipo de ajuda aos autônomos que perderão renda num período de maior restrição de circulação de pessoas.
A redução dos juros para o setor produtivo, tanto para capital de giro quanto para investir, seria uma medida necessária para afetar menos as empresas. Períodos maiores de carência também seriam necessários. Mas isso é difícil no Brasil. Vale lembrar que nos meses que se seguiram à crise global de 2008, a falta de crédito enfrentada pelo setor produtivo afetou muitas empresas, inclusive algumas grandes e bem administradas de Santa Catarina. Depois, tudo voltou ao normal. Isso é prova de que a restrição ao crédito não precisa ser tão rígida.
Numa fase de baixa atividade econômica, toda a economia é afetada, mas o impacto dependerá do tamanho do ciclo econômico de cada uma. Os negócios mais prejudicados serão os de empreendedores individuais informais e formais. Para se ter ideia do avanço desse segmento, do total de empresas abertas este ano em SC, 79% foram Microempreendedores Individuais (MEIs). Dependendo da extensão do período de baixa atividade para o combate ao coronavírus, o setor público das três esferas deveria promover ações para ajudar essas pessoas. O desfio maior delas pode ser na aquisição de alimentos.