CVM pede voto múltiplo e atrasa assembleia da BRF

Compartilhe:

Acionistas presentes na sede da BRF em Itajaí para a assembleia geral ordinária e extraordinária agendada para hoje, às 11h, foram surpreendidos com decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), instituição responsável pela defesa do direito dos acionistas, cobrando a manutenção do voto múltiplo para a escolha do novo conselho da companhia. Como o colegiado atual já tinha preparado a assembleia para eleição de chapa única, sem voto múltiplo porque o fundo Aberdeen, que havia solicitado esse tipo de votação retirou o pedido ontem, estão sendo necessárias adaptações de última hora e a assembleia será iniciada somente por volta das 14h. A decisão da CVM foi comunicada na sala da assembleia pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Lorival Luz. A CVM adotou essa posição porque cerca de 13% dos acionistas já haviam votado com antecedência, pelo modelo de voto múltiplo

Esse processo está sendo demorado porque, apesar do voto múltiplo ser uma alternativa para escolha de conselho quando não há consenso, dificilmente é adotado no Brasil. Há informação de dois casos, um deles da CSN, do Rio de Janeiro. Os fundos Petros e Previ, mais o Península e Tarpon haviam acertado a chapa de consenso porque temem que, com voto múltiplo, possam ser eleitos representantes que não conhecem bem o negócio agroindustrial da BRF. A chapa de consenso tem à frente o presidente da Petrobras, Pedro Parente, e como vice-presidente, Augusto Cruz, presidente da BR Distribuidora. 
O novo conselho, eleito hoje, deverá se reunir amanhã em São Paulo e um dos assuntos será a escolha do novo presidente executivo. A intenção é escolher alguém de mercado e um dos cotados é o ex-presidente da BRF, José Antonio Fay. 

Leia mais: 

Presidente global da BRF renuncia ao cargo