Santa Catarina registrou estabilidade econômica em agosto de 2026 frente ao mês anterior, julho, de acordo com o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-SC) apurado pelo Banco Central e considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador, acompanhado mensalmente pela Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), teve impacto negativo da indústria, que registrou queda de 1,5% na mesma comparação.
Mas considerando o resultado de agosto frente ao do mesmo mês de 2025 houve um crescimento de 1,8% em SC. Essa variação ficou acima da média nacional, que teve alta de 1,2% na mesma comparação.
Na avaliação do presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, o resultado de agosto reflete os desafios, tanto do lado da produção, quanto do lado do consumo.
“Os juros elevados e o alto endividamento das famílias e empresas limitam a demanda e dificultam a expansão. A sustentação do crescimento nos próximos meses dependerá da recuperação da demanda interna e de uma melhora das condições de financiamento”, destaca Seleme.
Os dados do IBGE, considerados pelo BC para fazer a estimativa, apontam variações diferentes entre grandes setores econômicos em SC. O comércio, por exemplo, teve alta de 1,8% em agosto frente ao mesmo mês de 2025. A indústria teve queda de 0,7% e os serviços também tiveram recuo, mas de 0,2%.
Na opinião do economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, essas diferenças setoriais exigem atenção, porque mostram desafios diferentes para grupos consumidores e setores.
“A estabilidade mensal e a retração na indústria mostram que a expansão permanece desigual no estado. No setor de serviços, por exemplo, o crescimento acumulado de 8,3% dos serviços prestados para empresas esconde uma queda de 4,4% naqueles voltados para as famílias, o que mostra que não há um fortalecimento generalizado do consumo da população”, explica Bittencourt.
O crédito caro para empresas e famílias limita o consumo de uma série de produtos fabricados o estado, para empresas ou para o consumidor final. Além disso, existe o efeito da queda das exportações causada por tarifaços e outros problemas. E também tem o impacto do excesso de importações de têxteis e confecções via plataformas eletrônicas.
