Entenda as oscilações do mercado com a vitória de Lula e como definição da equipe econômica pode ajudar

Chamou a atenção a forte queda de ações no primeiro dia após a reeleição do presidente Lula

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Nesta terça-feira, o mercado passou para a esfera positiva de negócios em ações, apesar de alta tímida como mostrava o gráfico do Ibovespa por volta das 12h40min desta terça-feira (Foto: Reprodução)

O mercado financeiro brasileiro teve uma retração forte, acima do esperado, nesta segunda-feira (26), primeiro dia útil após a reeleição do presidente Lula. Isso ocorreu porque a maioria dos investidores esperava vitória de Flávio Bolsonaro, que prometeu corte de despesas públicas mais rapidamente. Nesta terça-feira, o mercado começa a se acomodar, mas o anúncio da nova equipe econômica e de medidas futuras podem ajudar a melhorar o cenário econômico.

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Na segunda-feira, o dólar teve queda de 8,21% e fechou em R$ 5,40. O índice Ibovespa, da bolsa B3, teve mais oscilações. No início do pregão chegou à queda superior a 10% levando ao acionamento do Circuit Breaker (suspensão dos negócios por 30 minutos). Teve mais quedas e, no fim do dia, o Ibovespa fechou com queda de -13,88%, a 176.608 pontos, após, dias antes, ter alcançado mais de 209 mil pontos.

Nesta terça-feira, o mercado começou a apresentar reversão dos recuos. Por volta das 12h55min, o dólar estava em R$ 5,3440 com queda de -1,09% e o Ibovespa estava com alta de 0,05%.

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No dia seguinte à eleição no primeiro turno, em 5 de outubro, devido à liderança do candidato Flávio, o dólar recuou 4% e ficou em R$ 5,00 enquanto o Ibovespa subiu 7,7%.

A alta do dólar encarece as importações e isso pressiona a inflação porque impacta em preços diretos e indiretos, além dos custos de combustíveis e commodities. Mas tem um efeito positivo para quem exporta, porque aumenta o faturamento em reais.

O desce e sobe da bolsa

Quanto aos impactos das oscilações dos preços de ações na bolsa, perde quem vende ações quando a cotação está baixa. Quem mantém seus papéis não perde apesar de oscilações porque seus ganhos vão depender de preços quando venderem as ações.

Nesta segunda-feira, a forte retração veio da venda de ações de empresas que dependem do consumo no mercado brasileiro. Os papéis que derreteram nesta segunda-feira fora, os de varejistas, locadoras de veículos, empresas de combustíveis e bancos. As maiores quedas foram da Magazine Luiza (-58,23%), Vamos (-56,79%), Hapvida (-54,93%), C&A Modas (-47,47%) e MRV (-42,53%).

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As maiores altas na bolsa, nesta segunda-feira, foram em ações de empresas exportadoras, que têm maior receita no mercado internacional. Nessa lista ficaram a Suzano (10,08%), Embraer (8,87%), WEG (5,10%), Vale (4,01%), Klabin (3,24%).

Falta de ajuste fiscal

A bolsa caiu forte porque o mercado, que esperava um corte maior dos gastos públicos federais, levando a um ajuste fiscal mais rapidamente, não vê essa possibilidade em novo governo de Lula. Considerava mais possível numa eventual gestão do seu opositor.

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O mercado cobra ajuste nas contas públicas porque a alta de gastos gera demanda acima da capacidade da economia, eleva a inflação e os juros. Isso gera desconfiança dos investidores reduz investimentos, geração de empregos e o crescimento econômico.

O candidato da oposição prometeu um ajuste de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 250 bilhões em um ano e meio. Mas como o governo atual elevou os gastos acima da arrecadação durante todos os anos, seria necessário um corte maior do que isso para equilibrar as contas, nas estimativas de economistas do mercado.  

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Nomes da equipe econômica

Uma forma de trazer o mercado para uma estabilidade maior, seria anunciar logo quem integrará a equipe econômica do próximo governo e como será feito o ajuste fiscal.

O presidente Lula sinalizou que dever nomear outro ministro da fazenda. Entre os nomes mais cotados está o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, que é mestre em economia matemática, tem feito um governo bem avaliado e participou ativamente da campanha pela reeleição.

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Outro nome, que é mais bem avaliado pelo mercado, é do vice-presidente Geraldo Alckmin. Lula disse que ele tem total confiança, acompanha de perto todas as decisões econômicas de investimentos e da reforma tributária, que começou a ser implantada gradativamente.

É importante que o governo defina medidas para ajustar contas públicas porque diversos analisas avaliam que os próximos anos serão de menor ritmo da economia ou até de recessão. O boletim Focus do dia 26 de outubro, o primeiro do mercado após a eleição, veio com retrações dentro de um cenário equilibrado: crescimento do PIB de 1,80% em 2026 ante 1,83% na semana anterior, e de 1,31% para 2027, após alta estimada de 1,32% sete dias antes.