Escala 5X2: presidente da CNI diz ter esperança de que Senado vai deixar esse tema para após eleição

Ricardo Alban, presidente da CNI, participou em SC de evento de homenagens para industriais falou do tema. O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, também criticou a pressa

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O presidente da CNI, Ricardo Alban (D) em reunião ao lado do presidente da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Gilberto Seleme, em Florianópolis (Foto: Filipe Scotti)

Ao participar de evento de entrega de medalhas do Mérito Industrial para industriais de Santa Catarina nesta sexta-feira (19), o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, comentou sobre o projeto de mudança da jornada semanal no país de 6X1 para 5X2, que tramita no Congresso Nacional. O industrial disse ter esperança de que os senadores vão deixar essa discussão para depois das eleições.  

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– Não queremos deixar de discutir o assunto, mas precisamos sair do oportunismo eleitoral – afirmou Ricardo Alban.

Entre os desafios do projeto, na avaliação do empresário, está o tempo limitado para implantar a mudança, em apenas 60 dias. Em 60 dias ninguém aumenta a produtividade que perdeu em décadas, em 60 dias ninguém faz investimentos em automação e em produtividade, disse o líder da CNI.

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O presidente da CNI alertou também que, caso efetivamente seja aprovada, a redução vai impactar em aumento de preços em torno de 6% a 8% de um modo geral. Mas essa inflação só deverá chegar ao consumidor após as eleições de outubro, alerta ele.

– O que ocorre em Brasília nesta véspera de corrida eleitoral é uma irresponsabilidade que tira o sono dos que levantam cedo e vão dormir tarde, como os que se encontram neste auditório hoje. Pasmos, asistimos à tentativa de impor — por lei e às pressas — uma redução de jornada que terá graves consequências para o futuro das empresas, dos trabalhadores e do país – afirmou Gilberto Seleme, presidente da Fiesc.

Para o presidente da Fiesc, o debate sobre a redução da jornada está superficial. Ignora estagnação da produtividade brasileira e as mudanças drásticas em curso no mundo do trabalho.

Na avaliação do presidente da CNI, falta considerar nessa discussão que a maioria dos trabalhadores brasileiros já trabalha em jornada menor do que 44 horas semanais. Isso porque a jornada média do país é 38,4 horas semanais. Atualmente, cerca de 14 milhões de brasileiros têm jornada de 44 horas semanais, observou ele.

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O empresário também chamou a atenção para o fato de que os desafios da economia brasileira são muito maiores do que na última redução de carga horária, em 1988, quando passou de 48 para 44 por semana.