Os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, fortaleceram nas audiências públicas desta semana sobre o leilão da malha ferroviária Sul, que são contra o modelo proposto. A sugestão do governo federal prevê fatiamento da malha, mas a região alega que isso vai isolar SC e RS do sistema ferroviário nacional. Eles defendem postergação do leilão e a definição de um novo modelo.
A concessão atual da Malha Sul da rede ferroviária vence em 2027. O movimento dos estados do Sul está sendo liderado pelo Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul). Ele alega que a região não foi ouvida sobre o modelo que está sendo proposto e encomendou um estudo para fazer uma proposta.
O modelo proposto pelo governo federal, via Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para os próximos 30 anos da malha sul é um fatiamento em três concessões diferentes: Corredor Paraná-Santa Catarina, Corredor Mercosul e Corredor Rio Grande. Essa polêmica também motiva ação de SC junto ao TCU.
O Codesul e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) contrataram um estudo técnico para elaborar uma proposta alternativa para a chamada Malha Sul Ampliada, que inclui os quatro estados integrantes do Codesul, RS, SC, PR e MS.
Região defende integração
O plano é sugerir modelo que recupere a infraestrutura ferroviária já existente e amplie a capacidade logística com integração dos maiores corredores de produção. O objetivo é garantir preços mais competitivos de transporte.
De acordo com o coordenador do Grupo de Trabalho Ferrovias do Codesul, Beto Martins, o modelo proposto pelo governo federal de segmentação indica que deverá aprofundar as desigualdades entre os trechos da malha ferroviária.
“A fragmentação vai deixar o Rio Grande do Sul e Santa Catarina sem ferrovia”, alerta Martins. Isso porque os trechos nos dois estados, hoje não são lucrativos e exigem investimentos para operar melhor. É uma demanda que afasta investidores.
SC defende mais conexões no estado
Um dos representantes do setor produtivo de SC que acompanharam a audiência pública desta sexta-feira em Florianópolis, o empresário Lenoir Broch, diretor de Ferrovias e Agronegócio da Federação das Associações Empresariais do Estado (Facisc), avaliou que SC conseguiu colocar sua posição contrária ao modelo proposto.
Lenoir Broch afirma que o setor produtivo de SC defende o fortalecimento das ferrovias para serem opção efetiva de transporte mais acessível e mais sustentável.
“A audiência pública em Florianópolis hoje, ela refletiu exatamente o que o povo de Santa Catarina pretende com relação à ferrovia. A forma como foi encaminhada a licitação para a próxima concessão para mais 30 anos não está de acordo com o que a comunidade catarinense necessita”, alertou Lenoir Broch.
Conforme o empresário, o movimento pró-ferrovias de SC traz uma outra versão, uma outra possibilidade que é trabalhar a oportunidade de levar a ferrovia pelo menos até Lages e Correia Pinto para tentar encontrar o Tronco Sul, utilizando essa ferrovia para chegar a todo o Brasil.
“Nós precisamos ligar o Tronco Sul à ferrovia já existente que vai até São Paulo, como também uma outra ferrovia que ligue a região do Litoral de SC até Correia Pinto e de Correia Pinto até o Oeste de Santa Catarina. Isso está sendo tratado, como também a ferrovia que traz o grão do Centro-Oeste, que foi denominada de Nova Ferroeste”, explica diretor da Facisc.
Gaúchos cobram melhor alternativa
Quarta-feira (29) foi realizada audiência pública em Porto Alegre, quando lideranças do Rio Grande do Sul também se manifestaram contra o modelo proposto, que pode isolar o Sul do transporte ferroviário nacional.
“O modelo apresentado não atende ao interesse público, não respeita plenamente o pacto federativo e não representa a melhor alternativa para o desenvolvimento logístico do Sul do Brasil”, afirmou na audiência Clóvis Magalhães, secretário de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul.
