“Estamos iniciando projeto de uma fábrica nos Estados Unidos”, diz fundador da Portobello

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Enquanto muita gente reclama da vida e olha para traz, o industrial Cesar Bastos Gomes, 90 anos, fundador e presidente do conselho de administração da Portobello, olha para o presente e o futuro com raro otimismo. Após receber a homenagem de Empresário do Ano concedida pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide SC) na terça-feira, ele disse para a coluna que agora o Brasil vai deixar de ser o país do futuro para ser realidade e recomendou aos jovens não abandonarem o país. Disse também que a Portobello, maior empresa de revestimentos cerâmicos do Brasil, está começando o projeto de uma fábrica nos EUA. No final da entrevista, os detalhes da nova unidade foram informados  pelo presidente da empresa, Cesar Gomes Filho. 

Como recebeu a homenagem de Empresário do Ano, concedida pelo Lide SC?

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Eu cheguei aos 90 anos na vida empresarial, que é de trabalho e não de homenagens. Mas, se agora os amigos entenderam de me homenagear, eu fico muito satisfeito, radiante. Pela minha idade, eu não posso fazer mais muita coisa, mas eu tenho desejo de fazer. Eu sempre tive um prazer todo especial em realizar coisas. Comecei a trabalhar com meu pai com 16 anos, são 74 anos de trabalho. Ainda continuo na empresa (como presidente do conselho de administração) e gostando muito de trabalhar. 

Quais são os temas que recebem maior atenção do senhor na empresa?

Nós temos sempre muitos funcionários jovens, que nessa fase da carreira necessitam de orientação. Isto porque as escolas brasileiras não conseguem formar profissionais como as empresas necessitam. E cada vez mais, essa competição entre a qualidade dos trabalhadores se transfere numa competição entre as empresas, numa disputa internacional. Temos que ter capacidade de competir. Compramos equipamentos bons, atualizados, procuramos sempre renovar, mas a qualidade do trabalhador é fundamental. Tenho que reconhecer que conseguimos uma evolução muito boa, temos ótimos funcionários e o produto que oferecemos ao mercado é muito bom, tanto que agora estamos iniciando o projeto de uma fábrica nos Estados Unidos. Temos uma em Maceió, onde há necessidade de maior insistência na formação de pessoas. 

Que conselhos dá aos jovens profissionais da Portobello?

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Eu mostro para eles que o Brasil é o país das oportunidades e todo mundo precisa se preparar para vencer. O trabalhador necessita tirar tudo o que os equipamentos modernos que temos possam oferecer e se ele não tem essa preparação, não consegue. Por mais que a Fiesc tenha se esforçado e conseguido preparar muitos jovens, a mentalidade vai mudando. Quando eles falam em ir para outros países, especialmente para os Estados Unidos, eles esquecem que o Brasil é o país das oportunidades e se eles se prepararem para vencer nos EUA, vai ser muito mais fácil eles vencerem aqui. O Brasil precisa deles. Nós, de SC, para manter essa liderança que temos aqui, precisamos dessas pessoas. Quando a gente está em São Paulo, em outros Estados, todos nos respeitam porque Santa Catarina fabrica bons produtos. É uma realidade que conquistamos. Precisamos manter essa posição de vanguarda e necessitamos dos jovens. Acredito no Brasil, nos brasileiros e que, nos próximos anos, vamos deixar de ser o país do futuro para ser uma realidade para toda a população.  

Como é o projeto da fábrica nos EUA?

Estamos fazendo um processo gradativo para instalar uma fábrica no Estado do Tennessee (EUA). O grande desafio é a construção do mercado. Criar uma rede de distribuidores. Construir a fábrica é relativamente rápido. Estamos num estágio de construir os depósitos de distribuição para criar o mercado. Devemos iniciar a fábrica no fim do ano que vem. Compramos o terreno. É um projeto de longo prazo, não é imediatista. Ele dá consistência ao projeto de internacionalização da empresa. Visa desenvolvê-la para o mercado americano. Será um investimento de US$ 150 milhões em duas etapas. A primeira é de US$ 75 milhões e a segunda, também de US$ 75 milhões. Vamos gerar 220 empregos diretos. Estamos muito entusiasmados com a maneira profissional como as coisas estão sendo conduzidas. O Tennessee tem uma localização fantástica de logística, no Sudeste do país. O terreno está a 50 milhas de Nashville, capital do Tennessee, fica na rota 40, principal free way de lá. A fábrica será tocada por americanos. Vamos receber US$ 2,5 milhões só para formação de profissionais americanos aqui. Ao todo, vamos receber US$ 30 milhões de incentivos. 

Quanto a Portobello exporta atualmente?

Exportamos 25% da produção para os mais diversos países. Claramente, a exportação para os Estados Unidos vai crescer agora. O mercado americano necessita de um produto muito específico e por isso é necessário fazer a produção local. O material melhor, de maior valor agregado, vamos continuar fazendo aqui e mandando para lá.