“Estamos investindo no estado algo entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão”, diz presidente da Fiesc

Em entrevista exclusiva ao NSC Total, o empresário Gilberto Seleme fala dos desafios do setor como falta de mão de obra, tarifaços e reindustrialização

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O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, completa o primeiro ano à frente da entidade, com atenção a uma série de desafios das indústrias de SC (Foto: Filipe Scotti)

O industrial Gilberto Seleme completou neste sábado(08) o seu primeiro ano de gestão à frente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Desde essa data, sucedeu a Mario Cezar de Aguiar e passou a assinar as decisões da entidade, tendo a posse festiva em 22 do mesmo mês. Ao falar sobre como foi o primeiro ano, Seleme diz que passou muito rápido, mas a federação fez muito. Entre os fatos relevantes, estão investimentos elevados em educação por meio do Senai/SC e o Sesi/SC. A entidade está investindo entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão, informa ele.

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Além disso, nesse primeiro ano, ele liderou decisões para apoiar a indústria no primeiro tarifaço dos Estados Unidos e agora o setor enfrenta o segundo tarifaço de lá.

Engenheiro civil, acionista e líder de várias indústrias sediadas na cidade de Caçador,  Seleme, à frente da Fiesc, mantém foco na competitividade da indústria catarinense. Para isso, defende educação de qualidade, inovação e a reindustrialização do Brasil com muito mais automação. Ele afirma também que Santa Catarina precisa formar mais engenheiros. Leia a entrevista a seguir:

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O senhor está completando o primeiro ano de gestão à frente da Fiesc. Como avalia esse período de trabalho na federação?
– Passou muito depressa. Esses dias fizemos uma retrospectiva, como aquelas do fim de ano, e percebemos a quantidade de ações que já realizamos aqui na Fiesc. Foi muita coisa.

Seu trabalho é de continuidade porque era vice-presidente na gestão anterior. Já imprimiu o seu ritmo?
– Eu sempre digo que isso aqui é uma corrida de bastão. Como eu já fazia parte da diretoria anterior, o Mario (Aguiar) me passou o bastão. Eu o recebi e imprimi a minha velocidade.

Significa que comecei em ritmo forte e pretendo continuar assim.

Imprimi o meu jeito de trabalhar, mas mantive o planejamento estratégico que a Fiesc sempre teve, adaptando-o ao cenário econômico. Logo que cheguei, enfrentamos a questão do tarifaço. Também trouxe para dentro da entidade a minha cultura, minhas qualidades, meus defeitos e a minha forma de administrar.

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O que o senhor já incluiu na Fiesc considerando sua cultura?
– Uma das primeiras coisas que fiz foi olhar para as pessoas. Como sou do interior, aprendi que todos devem ser tratados da mesma forma. No interior, você encontra o funcionário, o vizinho, o prefeito e todos convivem naturalmente. Por isso, é preciso tratar todos com respeito e igualdade. Trouxe essa cultura de valorização das pessoas para a Fiesc.

Como essa visão se transforma em ações concretas?
– Nós trabalhamos com um conceito baseado em pessoas, ações e impacto. Eu costumava dizer que era preciso haver mais Santa Catarina e menos Florianópolis. A indústria está espalhada pelo Estado, principalmente depois da ponte. Sem desmerecer Florianópolis, levamos as ações para o interior, onde estão os polos industriais.

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Quais foram as principais iniciativas nesse sentido?
O principal foi construir alianças. Eu costumo dizer: aliança, aliança e mais aliança. Fui aos sindicatos, trouxe os dirigentes para perto da Fiesc, porque eles são a nossa base, nossos acionistas e quem nos elegeu. Era fundamental aproximá-los da Federação.


Essas alianças geraram resultados concretos, que chamamos de impacto. Também implantamos uma gestão bastante compartilhada. Eu escuto muito. Criamos conselhos que discutem os temas e trazem as propostas para análise.

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Como funciona esse modelo de gestão compartilhada?
– Um exemplo é o setor da construção civil. Temos 14 sindicatos que formam um conselho. Eles discutem os temas comuns e trazem as demandas para a Fiesc, que ajuda a encaminhar as soluções. Já as questões específicas de cada região continuam sendo resolvidas localmente, com o apoio dos nossos 16 vice-presidentes regionais.

Quais são as principais prioridades da Fiesc atualmente?
– Educação, inovação e tecnologia continuam sendo prioridades, como sempre foram. Estamos investindo fortemente para qualificar mão de obra para a indústria porque é muito difícil ouvir um empresário dizer que não consegue expandir sua empresa por falta de trabalhadores qualificados.

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Estamos enfrentando no estado, principalmente, falta de mão de obra qualificada. Por isso, estamos desenvolvendo um projeto em parceria com o governo do estado para oferecer cursos técnicos gratuitos. Inicialmente serão 30 mil vagas, com a meta de chegar a 80 mil.

Esse programa com o estado soluciona essas demandas?
– Ele ameniza, mas não resolve completamente essa falta de pessoal. Por isso, pedimos aos empresários que nos avisem quando planejarem ampliar suas empresas. Assim, conseguimos preparar a formação desses profissionais com antecedência.

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Por que esse planejamento antecipado é tão importante?
– Porque formar um profissional leva tempo. Se uma empresa vai construir uma nova fábrica, normalmente leva cerca de dois anos para concluir a obra. O ideal é que, quando compra o terreno já comece também a investir na formação da mão de obra. Se deixar para procurar profissionais apenas quando a fábrica estiver pronta, terá de disputar trabalhadores que já estão empregados em outras empresas.

Como o Sistema Fiesc participa desse processo?
– Estamos mostrando ao empresário que somos parceiros. O Senai tem um papel fundamental nisso. Além da estrutura existente, estamos realizando um grande investimento em Joinville, superior a R$ 500 milhões, em parceria principalmente com a Petrobras.

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Esse projeto será em Joinville porque temos na cidade o instituto Senai. Desse total, cerca de R$ 380 milhões vêm da Petrobras. Somando os investimentos em todo o Estado, estamos falando de algo entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão.

Esses investimentos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão serão executados ao longo de quanto tempo?

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As obras já estão licitadas, então esses investimentos já estão garantidos. Estamos construindo ou ampliando unidades do Senai em Criciúma, Rio do Sul e Blumenau. Em Joinville, todo o complexo será inaugurado em breve. Também estamos investindo no Oeste do Estado e fortalecendo o Sesi, especialmente na área de educação, com escolas de referência.

Como funciona a integração entre o Sesi e o Senai nesse processo de formação?
O Sesi acompanha a formação da criança até determinado momento. Depois, o Senai assume essa preparação e forma profissionais para a indústria, inclusive oferecendo cursos superiores.

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Muitos profissionais formados pelo Senai acabam se tornando professores da própria instituição. Outros vão para a indústria e depois retornam para dar aulas. Isso é importante porque precisamos de professores que estejam conectados com a realidade industrial, levando para a sala de aula a experiência prática adquirida nas empresas.

Como o senhor define o papel do Sistema Fiesc?
O Sesi tem a responsabilidade de cuidar da saúde, da educação e do bem-estar do trabalhador. Já o Senai atua na qualificação profissional, na inovação e no desenvolvimento tecnológico. Além disso, a Fiesc exerce um papel institucional muito importante, que é defender os interesses da indústria catarinense.

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Quando o senhor assumiu a Fiesc, SC enfrentava o primeiro tarifaço dos Estados Unidos. Agora surgiu uma nova rodada de tarifas. Como a indústria enfrentou aquele primeiro momento e como vê esse novo cenário?
– O primeiro tarifaço gerou um grande impacto e muita insegurança. Ninguém sabia exatamente como agir. A Fiesc procurou amenizar os efeitos por meio de acordos com o Governo do Estado, da busca por linhas de crédito nacionais, especialmente junto ao BNDES, além do apoio do Sesi e Senai com programas de requalificação de mão de obra. Nossa equipe jurídica também orientou as empresas sobre medidas trabalhistas e administrativas que poderiam ser adotadas naquele momento.

O mercado externo conseguiu absorver perda de vendas nos EUA?
– O primeiro tarifaço machucou bastante a indústria. Quem conseguiu superar aquela fase enfrentou outra dificuldade: encontrar novos mercados. Na teoria parece fácil, mas, na prática, cada mercado já possui seus fornecedores. Para conquistar novos clientes é preciso oferecer competitividade, adaptar produtos, enviar lotes-piloto e construir uma relação comercial. Isso leva tempo.

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E por que o segundo tarifaço preocupa ainda mais?
Porque os instrumentos utilizados na primeira crise já não têm o mesmo efeito. Muitas empresas recorreram a financiamentos, que agora começam a ser pagos. Ninguém quer assumir novas dívidas. O que a indústria precisa é recuperar mercado.

Nossos concorrentes pagam tarifas de 10% ou, em alguns casos, de 12,5%. O Brasil passou a enfrentar uma tarifa de 25%, além da tarifa geral (chegando a 37,5%). Isso nos coloca em desvantagem em relação aos demais países e dificulta muito a competição.

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Há setores que escaparam dessas tarifas?
– Sim. Produtos considerados estratégicos para os Estados Unidos ficaram de fora. O suco de laranja é um exemplo: ou eles compram do Brasil ou ficam sem o produto. O mesmo ocorre com itens como café e alguns tipos de carne. Já em produtos em que há oferta de diversos países, o Brasil acabou sendo tarifado.

Qual é o impacto específico para Santa Catarina?
– Cerca de metade das exportações catarinenses destinadas aos Estados Unidos foi atingida pelas tarifas. Estudo da Fiesc apurou que esse segundo tarifaço atinge 54% da receita. É uma situação difícil de contornar.

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Existe alguma saída para esse impasse?
– Na nossa avaliação, a solução passa por um entendimento entre os presidentes dos dois países. Do ponto de vista técnico, nós já fizemos o que era possível.

Demonstramos que Santa Catarina possui produção sustentável, que nossas empresas madeireiras são certificadas, que a indústria não utiliza trabalho escravo e que seguimos rigorosamente a legislação trabalhista.

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Nossa indústria é moderna, organizada e exporta para o mundo inteiro. O problema é que determinados produtos são fabricados especificamente para o mercado americano.

O senhor acredita que esse segundo tarifaço terá efeitos mais severos?
– Sim. Ele tende a ser mais prejudicial do que o primeiro justamente porque as medidas adotadas anteriormente perderam eficácia. Parcelamentos, prorrogações de pagamentos e linhas de crédito ajudaram naquele momento, mas hoje o que realmente faz diferença é recuperar o mercado perdido.

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A CNI e a Fiesc atuam de forma coordenada. Também mobilizamos setores específicos, como móveis, madeira e celulose. Nessas negociações contamos, inclusive, com o apoio dos próprios clientes americanos. Mostramos nas audiências públicas que muitas empresas americanas dependem dos produtos brasileiros. Sem esse fornecimento, setores como a construção civil, por exemplo, terão aumento de custos. Esse argumento ajuda a demonstrar que as tarifas também prejudicam empresas e consumidores dos Estados Unidos.

Além das tarifas, que outros fatores estão pressionando a indústria?
– Tivemos também aumento do frete internacional, impulsionado pelos custos do petróleo, e elevação do frete interno em razão da tabela do transporte rodoviário. A nova lei nacional do frete estabelece valores mínimos para a contratação do transporte.

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Em algumas situações, o preço definido fica acima daquele praticado pelo mercado. Por exemplo, se um caminhão retorna vazio e poderia fazer um frete por um valor menor, isso deixa de ser possível porque existe um piso estabelecido. Isso reduz a flexibilidade das negociações e aumenta os custos para a indústria.

O cenário ainda é de muita incerteza?
– Vivemos uma grande insegurança comercial. Os Estados Unidos têm enorme poder de negociação e compram de quem desejam. Há empresas catarinenses cuja produção é voltada quase integralmente para o mercado americano, o que torna esse cenário ainda mais delicado. Em alguns segmentos mais tecnológicos, eles dependem de produtos fabricados no Brasil e não conseguem substituí-los facilmente.

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Já nas commodities é diferente porque existem outros fornecedores. O problema é que os países asiáticos são extremamente rápidos. Eles conseguem copiar uma peça produzida aqui e, em pouco tempo, passam a fabricá-la com custo menor.

Por isso, o Brasil precisa de uma política de reindustrialização. Caso contrário, corremos o risco de sucatear nosso parque industrial. Hoje, o custo para produzir no Brasil é muito elevado, inclusive para colocar novas máquinas em operação.

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O senhor defende uma reindustrialização do país. Quais seriam as prioridades?
– Precisamos recuperar a competitividade da indústria brasileira. Hoje é muito caro investir em tecnologia. Para automatizar uma fábrica, é necessário importar robôs e equipamentos, que chegam ao país carregados de tributos. Ao mesmo tempo, sem automação perdemos competitividade no mercado internacional.

O governo deveria reduzir a carga tributária para quem investe no setor produtivo. Precisamos incentivar investimentos que gerem emprego, riqueza e competitividade. Quando comparamos nossas empresas com as asiáticas, vemos que elas possuem dezenas de vezes mais robôs e equipamentos automatizados do que nós.

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A automação ameaça os empregos?
– Não. A indústria precisa inovar e automatizar para produzir mais, com melhor qualidade e menor custo. O robô não elimina empregos; ele aumenta a produtividade. Com uma produção maior, a empresa também precisa contratar mais pessoas para áreas como almoxarifado, expedição, logística e manutenção.

Diante da dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados, a automação ajuda a ampliar a produção sem reduzir postos de trabalho. Por isso, precisamos construir uma política nacional de reindustrialização.

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O que a Fiesc tem defendido junto ao governo federal?
– Existem algumas linhas do BNDES, mas são muito específicas. O Brasil precisa de um grande programa de financiamento de longo prazo, que permita às empresas investir em máquinas e equipamentos e pagar esses investimentos com o retorno proporcionado pelo aumento da produtividade.

Existe também um problema de imagem do Brasil no exterior?
– Existe. Muitas vezes os Estados Unidos enxergam o Brasil como uma realidade única. Quando falam de desmatamento ou de trabalho escravo, utilizam exemplos ocorridos em outras regiões do país e generalizam essa situação para toda a indústria brasileira, inclusive para Santa Catarina, que possui uma realidade completamente diferente.

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Trabalhamos tecnicamente, com dados e certificações, muitas vezes em conjunto com empresas americanas que compram nossos produtos. Procuramos demonstrar que a indústria catarinense é organizada, sustentável e segue padrões internacionais.

E quando a discussão deixa de ser técnica e passa a ser política?
– Nesse momento, nossas possibilidades de atuação diminuem bastante. Por isso, mantemos diálogo permanente com o governo federal. Nosso principal interlocutor é o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. É por meio desse canal que buscamos construir uma solução e defender que o diálogo entre os governos brasileiro e americano avance.

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A Fiesc está defendendo que o presidente Lula volte a conversar diretamente com o presidente Donald Trump?
– Sim. Estamos defendendo isso por meio do vice-presidente Geraldo Alckmin, que é o nosso principal interlocutor junto ao governo federal.

O senhor acredita que essa conversa ainda pode acontecer antes das eleições?
– Nós gostaríamos que acontecesse o quanto antes, de preferência imediatamente. Mas acreditamos que isso seja difícil. Se ocorrer antes da eleição, pode haver influência no cenário eleitoral. Mas independente de quem ganhar a eleição, será preciso deixar diferenças ideológicas de lado e pensar nos interesses do Brasil. O objetivo deve ser negociar a retirada dessas tarifas.

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O presidente Trump pode ampliar esse tipo de medida para outros países?
– Pode. Ele já anunciou novas tarifas sobre produtos de outros países, como o Canadá. No entanto, boa parte desses produtos não compete diretamente com os brasileiros.

Na sua avaliação, qual é a estratégia adotada pelos Estados Unidos?
– O presidente Trump utiliza as tarifas como instrumento de negociação. Ele impõe a taxação para levar os países à mesa de negociação. Diversos países fizeram isso. O Brasil também procurou esse diálogo, mas ainda não houve um acordo.

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Mudando de assunto, quais são as prioridades da Fiesc para o próximo governo de Santa Catarina?
– A principal delas é não aumentar impostos. Esse deve ser um compromisso de qualquer governador. A carga tributária já é elevada. Se o estado quiser aumentar a arrecadação, deve ampliar a base econômica, estimular investimentos e reduzir custos da máquina pública.

Além da questão tributária, quais são as maiores demandas da indústria?
– Infraestrutura. Santa Catarina possui uma economia muito forte, mas enfrenta custos logísticos elevados. Temos um dos fretes mais caros do país para levar a produção das indústrias até os portos. Apesar do aumento da capacidade portuária, continuamos enfrentando gargalos em praticamente todas as rodovias federais.

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Embora muitas dessas obras dependam do governo federal, qual é o papel do estado?
– O governo do estado precisa atuar em parceria, apoiar projetos como a Via Mar e defender essas obras junto à União. São investimentos que levam tempo para serem executados, mas a necessidade da indústria é imediata.

Que outras áreas exigem atenção do próximo governo estadual?
– O novo governo estadual precisaria investir em segurança pública, investir fortemente em educação, qualificação profissional e infraestrutura. Esses são pilares fundamentais para manter a competitividade da indústria catarinense.

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A parceria entre o governo do estado e o Sistema Fiesc na educação profissional já tem apresentado resultados?
– Sim. Além do Senai, o estado tem parceria com o Senac e outras que oferecem cursos em áreas que não atendemos diretamente, como enfermagem. O programa Universidade Gratuita também contribui para formar técnicos e engenheiros, profissionais fundamentais para o desenvolvimento da indústria.

O senhor considera que Santa Catarina ainda precisa formar mais engenheiros?
– Sem dúvida. O Brasil possui um número reduzido de engenheiros por habitante, e Santa Catarina acompanha essa realidade. A engenharia é essencial para incorporar tecnologia, inovação e aumentar a competitividade da indústria, especialmente em um estado cuja economia é fortemente baseada na manufatura.

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Além disso, tem mais algum pleito importante da Fiesc ao futuro governo estadual?

–  Sim. Não aumentar impostos e procurar entender por que algumas indústrias estão deixando Santa Catarina e adotar políticas que mantenham esses investimentos e esses empregos no estado. Mas o governo atual do estado tem dialogado com o setor produtivo, está bem alinhado.

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O senhor gostaria de transmitir uma mensagem especial sobre o seu primeiro ano de gestão na Fiesc?

Eu quero agradecer esse primeiro ano que nós passamos aqui, agradecer o apoio que tive principalmente dos sindicatos, do setor empresarial e dessa equipe da Fiesc que faz acontecer. Nós temos uma direção orientada pelo mercado, pelos empresários. Eu sou o comandante, mas quem está remando são eles.