Ex-ministro defende a volta do financiamento privado às campanhas eleitorais; entenda

O presidente do conselho tributário da CNI, Armando Monteiro, defende novo modelo que inclui contribuição privada. Neste ano, a campanha vai custar quase R$ 5 bilhões aos cofres públicos

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Armando Monteiro (D) fez palestra na reunião da diretoria da Fiesc, em Florianópolis, a convite do presidente da entidade, Gilberto Seleme (E)

O industrial Armando Monteiro Neto, presidente do Conselho Temático de Assuntos Tributários e Fiscais (Contf) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e ex-ministro do Desenvolvimento do governo de Dilma Rousseff, defende a volta do financiamento privado nas campanhas eleitorais, mas num novo modelo, que mantém parcialmente contribuição pública. Em palestra na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) nesta sexta-feira (21) ele afirmou que a vantagem da contribuição privada é que ela mantém conexões entre lideranças políticas e privadas, o que permite aos parlamentares, por exemplo, compreender melhor a realidade e os desafios dos setores econômicos.

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Para Armando Monteiro Neto, que conhece o outro lado porque foi senador pelo estado de Pernambuco, no atual momento está havendo um distanciamento, um certo “descolamento” dos parlamentares com relação à classe empresarial e suas demandas.

Com isso, o setor privado acaba sendo menos considerado nas decisões dos parlamentares. Ele avalia que o financiamento de campanha exclusivamente público causa esse distanciamento.

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“A minha percepção é que nós saímos de um modelo em que o financiamento empresarial era prevalecente, mas que precisava de melhores regras para evitar desequilíbrios que produziram distorções no modelo anterior. E como tudo acontece no Brasil, fomos radicalmente para outro modelo que também está produzindo distorções”, afirmou Armando Monteiro em Santa Catarina.

“Eu gostaria de que, ao experimentar esses dois modelos, nós pudéssemos encontrar um novo modelo de financiamento de campanha que combine um pouco do financiamento público, especialmente para aqueles parlamentares que são entrantes e que precisam ser estimulados a participar do processo político, mas sem nunca proibir financiamento empresarial”, afirmou Armando Monteiro.

O industrial também defendeu uma posição mais proativa da sociedade na esfera política. Isso porque, para ele, os governos refletem a sociedade se essas forem mais articuladas. Quanto mais atuante é a sociedade, melhores são os governos, afirmou Armando Monteiro.

A participação do ex-ministro e presidente do Conselho Temático de Assuntos Tributários e Fiscais da CNI na reunião da Fiesc foi um convite especial do presidente da entidade catarinense, o industrial Gilberto Seleme.

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Armando Monteiro destacou o dinamismo da indústria de SC, ao observar que SC é um belo exemplo de que crescer pela indústria é a melhor forma de crescer porque a indústria dissemina conhecimento, impacta a produtividade de todos os setores da economia, paga melhores salários e oferece uma imensa contribuição tributária.