Uma das indústrias mais competitivas do Brasil e do mundo, a multinacional WEG, de Jaraguá do Sul, Santa Catarina, fabricante de equipamentos e soluções para energia, registra crescente número de acionistas das três famílias fundadoras. Atualmente, são 102 herdeiros, informou o presidente do conselho de administração da companhia e da holding familiar controladora a empresa, a WPA, Décio da Silva. O êxito da WEG resulta diretamente da excelência da governança adotada pelos três fundadores da empresa há 50 anos, que estabeleceram, entre outras decisões, o acordo de acionistas e o conselho de famílias.
Eggon João da Silva, Werner Woigt e Geraldo Werninghaus, que fundaram a WEG em setembro de 1961, definiram 15 anos depois um acordo de acionistas para a empresa e também criaram o conselho de família que define, até hoje, como será gerida a companhia.
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Hoje, as três famílias têm a holding WPA, que controla 50,1% da WEG e mais 15,2% das ações da empresa. A outra parte, 34,7% estão circulando no mercado (na B3). Por meio da WPA as famílias também controlam 84% do capital da Oxford, empresa de produtos para o lar, dona das marcas Strauss, Oxford e Biona e cujo conselho também é presidido por Décio da Silva.
“O documento maisimportante que qualquer empresa tem é o acordo de acionistas. Ele diz como a companhia vai ser gerida. E uma das grandes missões do conselho de família (das famílias fundadoras da WEG), de 5 em 5 anos, é revisar o acordo de acionistas”, afirmou Décio da Silva em palestra na Grande Florianópolis nesta sexta-feira (16), no encontro “Governança e empresas familiares”, iniciativa do Grupo de Líderes Empresariais (Lide-SC).
“Os acionistas fizeram três coisas gigantes”
Ao falar sobre a estrutura societária da WEG e da WPA, Décio da Silva, que é da segunda geração das famílias fundadoras – filho de Eggon João da Silva – disse que apesar da evolução constante dos negócios, o que não pode mudar é a “coluna vertebral”, onde está a cultura da empresa.
“Os fundadores fizeram três coisas gigantes. Uma foi o acordo de acionistas. A segunda foi a estruturação societária de uma maneira simplificada para centenas de anos. E a terceira foi a definição da cultura. A cultura da gestão, cultura da família”, afirmou Décio da Silva.
“No centro da cultura veio a palavra simplicidade. Sabem que na missão da WEG está escrito ‘crescer continuadamente mantendo a simplicidade? Nós queremos crescer continuadamente para ser grande, mas se para ser grande tivermos que perder as vantagens do pequeno, não vale a
pena. Quais são as vantagens do pequeno? É velocidade, é flexibilidade e simplicidade. Porque o grande tem a tendência, não é que todos fiquem, mas a tendência é de ficar um pouquinho mais arrogante. Isso afasta as pessoas, afasta os clientes, afasta os funcionários e a companhia perde a sua alma”, disse o presidente do conselho da WEG.
Quem são os 102 acionistas familiares
A WEG foi fundada como uma empresa familiar tripartite, isto é, os donos eram as três famílias: Silva, Voigt e Werninghaus, e assim seguiu. E famílias crescem de maneira exponencial, observou o empresário Décio da Silva. Tem os filhos netos e bisnetos dos fundadores.
Quando os conselhos de administração e de família foram fundados, a empresa era liderada pela pelos fundadores e tinha entre os acionistas futuros os seus filhos. Eggon João da Silva teve cinco filhos; Werner Voigt, três; e Geraldo Werninghaus, quatro.
Atualmente, com o passar dos anos, são 102 acionistas herdeiros e as ações já foram transferidas para a terceira geração. E como o crescimento é geométrico, logo mais poderão ser 170 herdeiros, observou o empresário. No atual grupo estão os herdeiros diretos, 70, incluindo adultos e crianças, e os cônjuges, que são 32 e, tecnicamente, na gestão empresarial, são chamados de agregados.
Nesse grande grupo de herdeiros da WEG, como eles não participam da gestão da empresa nem de funções executivas, eles têm carreiras próprias. Isso inclui profissionais liberais como advogados, médicos, arquitetos. Tem também artistas, esportistas, empresários e quem abraçou ainda outras carreiras.
Como são herdeiros da companhia, todos recebem formação para serem acionistas. Isso inclui conhecer os negócios das empresas, entender de balanço e das normas de governança.
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Definição de executivos da WEG
Conglomerado empresarial que acaba de completar 65 anos, a WEG optou por gestão executiva profissional. Quando foi fundada, teve como presidente Eggon João da Silva. Depois, para seu sucessor, por critérios técnicos foi escolhido seu filho Décio da Silva, engenheiro mecânico que já havia exercido diversas funções de liderança na empresa.
Na sequência, os próximos presidentes também engenheiros, chegaram ao cargo após diversificada atuação na companhia: Harry Schmelzer Jr. e, agora, Alberto Kuba. De acordo com Décio da Silva, o sucessor de Kuba já atua na empresa, é da equipe dele, e será escolhido talvez daqui a uma década, com base nos desafios do momento.
As famílias também limitaram as participações no conselho de administração da WEG. Atualmente, além de Décio da Silva na presidência, Martin Werninghaus representa a família de Geraldo Werninhaus e Sérgio Luiz Schwartz é representante da família Voigt.
As definições do acordo de acionistas e do conselho de família pelos fundadores da WEG, com regras claras e cumpridas, foi e seguem sendo decisivas para a harmonia entre os acionistas familiares e continuidade da empresa.
Lide reuniu empresas bilionárias
O Lide SC reuniu empresas bilionárias para discutir governança empresarial nesta sexta-feira na sede da Energiluz em São José, na Grande Florianópolis. Além do presidente do conselho da WEG, que teve receita líquida de R$ 40,8 bilhões em 2025, foram palestrantes Guilherme Bertani, CEO da Docol (faturamento de R$ 1,5 bilhão) José Agnelo, CEO do Grupo Herval (faturamento de R$ 3 bilhões) e Eduardo Koerich, diretor Comercial do Koerich (faturamento R$ 1,5 bilhão).
Na abertura do evento, o presidente do Lide SC e RS, Delton Batista, afirmou que a escolha do tema foi em função da importância das boas práticas de governança para as empresas desde os seus primeiros anos de atividades.
“Você não se torna grande para depois ter governança. Você tem governança para se tornar grande”, ressaltou Delton Batista. Ele falou também sobre a importância do empreendedorismo e gestão empresarial colaborativa para a consolidação de negócios.
Anfitrião do encontro, o CEO da Energiluz, Elígio José Schmitt, falou da importância do Networking e da qualidade do atendimento ao público. A Energiluz é parceira de negócios da WEG e da Docol, por exemplo. O evento ainda teve como painelistas o CEO da Ábaco, Roberto Pedrini, o CEO da Nexti, Marcelo Gomes, e o fundador e CEO da Cota Real,
Vitor Crestani.



























