O novo governo ainda nem assumiu e já assusta boa parte do setor privado brasileiro ao anunciar determinados planos. Um deles é a intenção do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, de cortar recursos do Sistema S. Ele disse nesta segunda-feira, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) que “tem que meter a faca no Sistema S”, tirando 30% do que é bem administrado e 50% do que é mal administrado.
A declaração provocou reação dos líderes das federações empresariais que comandam o Sistema “S” em Santa Catarina. Para eles, falta a Guedes conhecimento sobre o que o sistema faz nas áreas de educação e saúde para os trabalhadores.
No Estado, que é o melhor do país na geração de empregos e distribuição de renda, os “Ss” fazem a diferença na indústria, comércio, serviços, agropecuária, transporte e empreendedorismo.
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Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, as declarações do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, mostram que ele não conhece em profundidade o trabalho de preparação da força de trabalho e de promoção da saúde realizado pelo Senai e pelo Sesi.
– Os dados revelam que somos eficientes no uso dos recursos repassados pela indústria. No caso do Senai/SC, 72% são aplicados na oferta de cursos gratuitos. E o índice de empregabilidade de quem cursa Senai é de 86%, o que é um atestado de qualidade dado pelo mercado – destaca.
Aguiar também faz comparação com outros custos do mercado. Enquanto um aluno do Sesi/SC custa R$ 5,4 mil por ano, na educação básica pública custa no Brasil, em média, R$ 11,7 mil. O custo em curso profissionalizante do Senai no Estado sai R$ 5 mil por aluno/ano, enquanto outros cursos com o mesmo perfil custam R$ 16,9 mil no setor público. Somente em SC, o Sesi e o Senai atenderam este ano 500,7 mil trabalhadores, o que representa 68% dos 733 mil empregados da indústria no Estado.
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Para o presidente da Federação das Empresas de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-SC), Bruno Breithaupt, é preciso fazer um estudo das prioridades do Sistema S e, a partir disso, discutir eventuais cortes. Segundo ele, o sistema, em SC, atua com transparência e gestão de qualidade. No ano passado, o Senac ofereceu 49 mil matrículas e formou 14 mil profissionais.
– Nós temos na estrutura, hoje, diversos serviços que prestamos na política exercida pelo Senac e pelo Sesc nacional. Em SC, o Sesc e o Senac aplicamos os recursos de uma forma criteriosa, temos exercido um rigoroso controle de caixa, aplicamos os recursos de maneira correta para que o comerciário tenha o máximo de serviços dentro do portfólio que nos recomendam. Qualquer corte, hoje, exigirá uma série de mudanças. Se tivermos que mudar de forma imediata, vai causar uma série de transtornos – alerta Breithaupt.
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A Federação da Agricultura e Pecuária (Faesc), que conta com o Senar, concentra praticamente todos os recursos em formação, 90%. Terceiriza essa formação técnica para não ter custos com pessoal, explica o presidente da federação, José Zeferino Pedrozo, ao destacar que o protagonismo do agronegócio catarinense resulta dos cursos do Senar, mais a atuação da Epagri e Cidasc.
– Ficamos preocupados com essa possibilidade de um fato novo. Eu tenho impressão que o ministro Paulo Guedes, antes de tomar uma decisão dessas, venha conhecer o sistema. Se tiver algum S que se enquadra no pensamento dele, se alguém tem desvio, não é todo o sistema que tem que pagar por isso. Aplicamos tudo com transparência, dentro da lei – diz Pedrozo.
Na opinião do presidente da Federação das Empresas de Transporte e Logística (Fetrancesc), Ari Rabaiolli, o futuro ministro precisa conhecer os relevantes serviços prestados pelo sistema, em especial o Sest e Senat, que oferece cursos gratuitos para todos os trabalhadores (presenciais e à distância), além de custear tratamentos médicos, de odontologia e outros para trabalhadores e familiares.
– O ministro está totalmente errado. Não conhece o Sistema S. Todos têm um trabalho muito forte em favor dos colaboradores e familiares. No caso do setor de transportes, oferecemos muitos serviços e estamos investindo em grandes unidades para esse atendimento – explica Rabaiolli.
Suspeita de corrução
Essa ideia de que há desperdício de recursos recolhidos com base na folha de pagamento das empresas ocorre porque em algumas entidades de outros Estados há denúncias de corrupção e falta de transparência. Par citar alguns exemplos, no sistema Fiesp, em São Paulo, há suspeita de uso político da entidade por parte do presidente Paulo Skaf, que disputou o governo pelo PMDB; no Rio de Janeiro, o ex-presidente do Sesc e Senac, Orlando Diniz, foi preso por corrução e a Fecomércio-SC teve que atuar como interventora. E na Confederação Nacional dos Transporte (CNT), o presidente Clesio Andrade foi condenado por desvios de recursos.
Reação da CNI
Mais poderosa entidade empresarial do país, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) saiu em defesa do Sistema S na quarta-feira e recebeu apoios de outros poderes, do presidente Supremo, Dias Tofolli, e do presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo. O presidente da CNI, Robson Andrade, disse que o Senai tem 2,3 milhões de alunos matriculados no país e emprega 27 mil profissionais. Em 2015, venceu a copa do mundo do ensino técnico, a WorldSkills e em 2017 ficou em segundo lugar.
Dá para concluir que o ministro Paulo Guedes terá que buscar dinheiro de outras fontes.
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