Filho de caminhoneiro ergue império nacional do agro ao transformar montanhas de lixo em “ouro” para o solo

Com origem no transporte rodoviário, grupo do litoral sul de Santa Catarina encontrou na saúde do solo seu foco de atuação

Compartilhe:

A sede da empresa SulGesso, em Imbituba, onde está o complexo produtivo de fetilizantes (Foto: SulGesso, Divulgação)

O que durante décadas pareceu apenas montanhas de entulho e poluição industrial em Imbituba, no Litoral Sul de Santa Catarina, transformou-se na matéria-prima de um império do agronegócio com produtos em plantações de todo o Brasil.

Continua após a publicidade

Ao completar 50 anos em 2026, o Grupo SulGesso já retirou do município quase 6 milhões de toneladas de rejeitos industriais para convertê-los em insumos vitais para a agricultura brasileira. Uma virada que começou com um jovem de 21 anos, seu pai caminhoneiro e um único caminhão.

“Eu sabia trabalhar, não gerenciar:” o começo de tudo

O início foi bem diferente. Em 9 de março de 1976, Manoel Duarte Ferreira, então com 21 anos, e o pai, caminhoneiro, formalizaram uma empresa a partir de um único caminhão.

Continua após a publicidade

O negócio cresceu até movimentar uma frota de cerca de cem veículos, mas a expansão não foi acompanhada pelo mesmo domínio da gestão financeira. Mais tarde, a atuação na construção civil também terminou em dificuldades.

“Eu sabia trabalhar”, resume o fundador, ao recordar que executar bem um serviço não bastava para garantir o equilíbrio das contas.

A família e o império do Grupo SulGesso

Agronegócio como foco

A mudança veio com a decisão de buscar profissionais especializados em áreas como finanças, contabilidade e questões jurídicas. Engenheiro químico formado pela Universidade Regional de Blumenau (Furb), Ferreira passou a concentrar seus esforços na identificação de oportunidades e no desenvolvimento dos negócios.

“Depois que eu comecei a me assessorar de pessoas que sabem mais do que eu nas suas respectivas áreas, aí começou a melhorar”, afirma.

Das experiências em diferentes setores, ficou também a percepção de que era necessário definir um foco, que passou a ser o agronegócio e, dentro dele, o cuidado com o solo. Por meio da MaxiSolo, o grupo trabalha com nutrição vegetal e insumos voltados à saúde desse patrimônio do agricultor.

Continua após a publicidade

Segundo Ferreira, os produtos industrializados alcançam diferentes regiões do país, enquanto a representação exclusiva do fosfogesso da Mosaic se concentra em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. “Um solo saudável, uma planta saudável, um ser humano saudável”, diz o empresário, ao explicar a ideia que orienta o lema “Solo saudável, mundo melhor”.

Investimento em pesquisa e inovação

Atualmente, a empresa conta com cerca de 300 colaboradores, somadas as atividades de agricultura e logística portuária, segundo o fundador.

Continua após a publicidade

Em cinco décadas, o grupo registrou mais de 2.700 contratações com carteira assinada e investiu em pesquisa, tecnologia e inovação, com parcerias envolvendo Epagri, Embrapa e Finep. A participação na Brasil Logística Portuária estende sua presença a operações em três portos brasileiros. Em agosto, o cinquentenário foi celebrado em sessão solene na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, proposta pelo deputado Mário Motta.

Além das operações industriais, o grupo contabiliza mais de 4 mil crianças da rede pública de Imbituba atendidas desde 2018 pelo Projeto Imbé (planta que está na origem do nome da cidade), dedicado à educação ambiental e à valorização do território. Também foram produzidas mais de 3 mil mudas de Butia catarinensis, espécie característica da região.

Continua após a publicidade

São iniciativas que aproximam o negócio do lugar onde começou e dão alcance à proposta que Ferreira apresenta para esta etapa da empresa: cuidar do solo como base para a produção agrícola e para a qualidade de vida.