A aprovação da mudança de jornada de trabalho de 6×1 para 5X2 pelo Senado vem causando reações diferentes conforme os públicos impactados e entidades representativas. No meio dos trabalhadores é alegria e celebração, enquanto no meio empresarial são críticas e alertas. O líder sindical Ivo Castanheira, diretor da Federação dos Empregados no Comércio de Santa Catarina (Fecesc), entidade ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e também diretor do Dieese no estado diz que a aprovação foi “emocionante”. Para ele, vai melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, gerar mais vagas e a economia vai se adaptar.
Entidade do mesmo setor, mas representante dos empresários, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio SC) vê um cenário difícil com a redução da jornada. Ela estimou que, com a mudança, o setor de comércio e serviços poderá perder até 27 mil empregos formais, elevar custos das empresas e gerar inflação. Além disso, criticou o fato de ser na véspera da eleição.
“As entidades (empresariais) reconhecem a legitimidade do debate sobre a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida dos trabalhadores. Mas reafirmam que mudanças estruturais dessa magnitude exigem aprofundamento técnico, diálogo e avaliação criteriosa de seus impactos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade das empresas, especialmente nos setores de comércio, serviços e turismo”, argumenta a Fecomércio em nota.
“A aprovação dessa mudança agora, na véspera da eleição, foi o momento certo. Se não fosse agora, com certeza os senadores não aprovariam. Para favorecer os trabalhadores tinha que ser assim”, afirma Ivo Castanheira.
O líder sindical chama a atenção para a série de desafios dos trabalhadores brasileiros. O primeiro é a média salarial muito baixa. A outra é o stress. Muitas mulheres chefes de família estão com jornada cansativa e isso gera doenças mentais, por isso essa mudança será positiva, observa o líder sindical.
“Os salários estão muito baixos, principalmente na área do comércio e serviços. A grande maioria ganha até R$ 2.500. Não chega a R$ 3 mil. Somente em cargos especiais”, observa.
Por isso a definição da lei de manter os salários é justa, na avaliação de Ivo Castanheira. Ele tem uma visão positiva da mudança, acredita que ela não vai gerar crise econômica, mas criará mais empregos.
Sobre os horários de trabalho no comércio e serviços, ele acredita que esses setores vão se adaptar gradualmente. A legislação para atendimento no comércio em Santa Catarina é flexível, basta acordo das empresas para uma não prejudicar a outra, avalia ele. Algumas redes de supermercados já tinham começado reduzir horários de abertura e fechamento de lojas para se adaptar, disse ele.
