Santa Catarina registrou no primeiro semestre de 2026 queda acumulada de 1,7% na produção industrial frente ao mesmo período de 2025, apurou o IBGE. O resultado ficou abaixo da média brasileira, que cresceu 0,4% no mesmo período. A produção catarinense teve um primeiro trimestre fraco e recuperação desigual no segundo trimestre, avaliou o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Gilberto Seleme.
“O primeiro semestre foi marcado por desafios e superações para a indústria de SC. Apesar de termos observado uma reação no segundo trimestre, a produção industrial segue em queda diante de um ambiente macroeconômico adverso”, analisa Seleme.
Entre os obstáculos que impactaram a produção catarinense estão o tarifaço de 50% dos Estados Unidos que agora voltou em 37,5% e a conjuntura brasileira, com taxa básica de juros nas alturas para conter a inflação, e o endividamento de mais de 80% dos consumidores do país.
Dos quatorze grupos de produtos industriais pesquisados pelo IBGE em Santa Catarina, 10 tiveram resultado negativo no primeiro semestre frente aos mesmos meses do ano anterior e quatro tiveram alta. Os que tiveram crescimento foram produtos de borracha e plástico (10,4%), alimentos (3%), minerais não metálicos (2,2%) e metalurgia (1,9%).
O maior recuo foi na produção de móveis (-16,7%), seguida por veículos e reboques (-12,8%), produtos de metal (-9,8%), vestuário (-8,0), madeira (-6,5%), máquinas e equipamentos (-4,6%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,9%).
De acordo com o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, o recuo maior dos móveis reflete impacto do tarifaço e também dos juros altos no mercado interno. Os juros altos que limitam as vendas a prazo também impactaram os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias, que caíram 12,8%, produtos de metal (-9,8%), máquinas e equipamentos (-4,6%) e materiais elétricos (-3,9%). E a queda de produtos de metal resulta também da redução de projetos industriais, infraestrutura e construção civil.
“O avanço no segmento de borracha e plástico está associado ao movimento de antecipação da produção e recomposição de estoques em função das incertezas no mercado de petróleo e do conflito no Irã. Já o setor de alimentos manteve sua trajetória sustentada pela demanda interna e externa”, explica Bittencourt.
Desempenho do mês de junho
O IBGE divulgou também o resultado de junho. A produção industrial catarinense cresceu 1,9% frente ao mesmo mês do ano anterior. As maiores altas nessa comparação foram nos grupos de borracha e plástico (15,4%) e alimentos (9,5%). E as maiores quedas foram em produtos de metal (-10,1%) e móveis (-9,3%).
