As grandes agroindústrias de carnes de Santa Catarina sabiam que o ano não teria céu de brigadeiro, mas a série de dificuldades como os embargos internacionais e a paralisação dos caminhoneiros gerou perdas bilionárias no segundo trimestre que foram estampadas nos balanços financeiros.
A BRF, dona da Sadia e Perdigão, teve prejuízo líquido de R$ 1,57 bilhão no trimestre. Desse total, a companhia informou que R$ 75 milhões foram em razão das barreiras nas rodovias. Também reportou perda de R$ 144 milhões com reestruturação da empresa que incluiu recisões de contratos e indenizações a avicultores e mais R$ 185 milhões relativos a operações de hedge (seguro internacional). Os demais rombos foram em função da redução de exportações para a Europa e China devido aos embargos de importação. A empresa, que está em meio a uma série de ajustes liderados pelo presidente Pedro Parente, conseguiu faturar 2% a mais no mercado interno no trimestre.
A JBS, dona da Seara, que têm a maior estrutura de aves e suínos do Estado, fechou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 911 milhões. Desse total, ela informou que as perdas com a paralisação dos caminhoneiros chegaram a R$ 113 milhões.
A Coopercentral Aurora, terceira maior do Brasil no segmento de carnes de frango e suíno, não publica balanço por ser uma cooperativa com mais de 70 mil associados, mas chegou a estimar o rombo com as barreiras nas rodovias em maio girou em torno de R$ 50 milhões.
Os números mostram que o setor foi o segundo do país que mais perdeu com a mobilização dos caminhoneiros, só atrás do setor de petróleo. Como as agroindústrias de carnes são as maiores exportadoras de Santa Catarina e estão entre as que mais movimentam a economia, o Estado perdeu muito, pois parte dos prejuízos não é contabilizada.
Mas a expectativa é de que no segundo semestre, com maior demanda interna e conquista de novos mercados no exterior, os prejuízos sejam menores para o setor. Apesar disso, 2018 será um ano fora da curva. Assim, a tendência é de que os preços continuem acessíveis aos consumidores brasileiros.