Inflação negativa retrata a crise, mas não deve virar problema de longo prazo no Brasil 

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Foto: Pixabay, Divulgação

A deflação, ou, de forma mais simplificada, inflação negativa, foi registrada por dois meses no Brasil e também em Florianópolis. Esses fatos retratam o momento da forte crise causada pela pandemia e também a crise política do país. Mas ela não deve se tornar um problema econômico em si porque há sinalizações de que a média de preços logo deve voltar a subir. Não será deflação de longo prazo, como a ocorrida no Japão a partir dos anos de 1990, que durou cerca de duas décadas e afetou negativamente a economia.

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O IPCA, inflação oficial do Brasil, apurada pelo IBGE e divulgada nesta quarta-feira, ficou em -0,38%. Isso depois de resultado negativo no mês anterior: em abril fechou em -0,31%. Mas nos cinco primeiros meses do ano acumulou alta de 1,88%.

Em Florianópolis, a inflação calculada pela Esag-Udesc, com metodologia muito parecida com a nacional do IBGE, teve praticamente três meses de estabilidade desde o início do isolamento em função da pandemia. Mas dois resultados foram negativos. Em março fechou em -0,07%, em abril -0,05% e em maio foi positiva em 0,14%.

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O que preocupa na inflação nacional de maio é que os itens importantes para as famílias nesta fase de necessidade de isolamento, como alimentos e serviços de comunicação, foram os que tiveram alta de preço no meio da deflação. A alimentação teve alta de 0,24% por influência de alguns legumes sazonais. A carne, após quatro meses, ficou estável, com uma leve variação de 0,05%. A alimentação fora de casa ficou estável, em 0,04% após alta de 0,76% em abril. Os serviços de comunicação subiram 0,24%. Nesse grupo estão tarifas de telefonia móvel, fixa, internet e correios.

O problema da deflação é que ela gera um ciclo econômico negativo. Isto porque se os preços têm previsão de queda, o consumidor não compra. Aí o comércio não vende e, como não tem a mesma renda, baixa os salários dos empregados. Se todos os agentes econômicos fazem isso, o resultado geral é renda menor para todos e uma economia ficando cada vez menor.

O sonho dos mercados é uma inflação da ordem de 2% ao ano. Isto porque não gera a crise da deflação, mas também não causa também os efeitos negativos da inflação alta. Com 2% ou um pouco mais, consumidores e empresas são motivados a gastar e, assim, a roda da economia gira com ciclo positivo. É o que tem acontecido em tempos normais nas economias dos Estados Unidos e Alemanha.

Por enquanto, o risco de deflação longa, com seus danos, estão afastados no Brasil. O Banco central prevê para 2020 alta de 2,3% a 2,4% do IPCA, o índice que pesa na variação da maioria dos preços da economia.