Estado conhecido como “Terra do emprego”, Santa Catarina teve saldo negativo de -248 vagas no mês de julho, o segundo resultado negativo do ano após contabilizar em maio -76 vagas. Esse desempenho confirma a perda de ritmo da economia do estado, causada pelos juros altos e cenário externo difícil. Em julho, quase todos setores tiveram saldo nativo de emprego mostrou o Caged, do Ministério do Trabalho: construção civil (-111 vagas), indústria geral (-49), serviços (-89) e comércio (-74). Somente a agropecuária teve saldo positivo de 75 vagas.
Mesmo assim, o resultado do ano até julho foi positivo em 62.658 vagas, mantendo o quarto lugar no ranking de criação de empregos no Brasil. No acumulado do ano, SC gerou 26.405 novas vagas nos serviços, 25.317 na indústria, 10.980 na construção civil, 70 no comércio e teve resultado negativo de -114 vagas na agropecuária.
Indústria analisa recuo
“A desaceleração observada em julho reflete diretamente um ambiente econômico pressionado pela manutenção da taxa de juros em patamares elevados por um período prolongado e também os efeitos do segundo tarifaço norte-americano sobre alguns setores”, explica o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme.
Considerando a indústria geral e a construção civil que integra o setor, a indústria de SC teve saldo de -160 vagas em julho, o segundo resultado mais baixo no ano. De acordo com o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, o resultado foi diferente, de acordo com impactos enfrentados por setores diante de dificuldades no Brasil e exterior.
“O comportamento divergente entre os setores industriais mostra como as taxas de juros e a demanda global afetam os segmentos de formas distintas. Enquanto cadeias como a automotiva e de materiais elétricos mantêm carteiras de projetos de médio prazo e demanda aquecida, setores intensivos em mão de obra, como o têxtil, vestuário e madeira, sentem de forma mais imediata a compressão do consumo das famílias e as dificuldades nas exportações”destaca Bittencourt.
Em julho, na indústria, setor de vestuário liderou o fechamento de vagas com -945 e o têxtil teve -203 vagas. Esse impacto resultou principalmente da queda do poder de compra do consumidor. O tarifaço dos EUA derrubou empregos no setor de madeira (-197 vagas) e móveis (-143).
Setores que trabalham no longo prazo criaram vagas. Veículos, carrocerias e peças (+947 vagas) materiais elétricos (+237), equipamentos de transporte (+228 vagas) e metalurgia (+163 vagas).
Municípios que lideraram criação de vagas
Apesar do saldo negativo no estado em julho, dois municípios se destacaram na criação de novas vagas, superando os que tradicionalmente estão no topo. Navegantes foi o que teve saldo positivo maior, de 1.064 vagas. O painel do Caged permite ver que foram vagas geradas pela indústria geral. O maior projeto anunciado no município é de construção naval do estaleiro Naveship. Outro destaque foi São José, na Grande Florianópolis, com saldo positivo de 863 vagas, a maioria no setor de serviços.
Blumenau liderou o fechamento de vagas, com -1.051. A maior parte foi encerrada no setor de confecções e indústria alimentícia. Considerando as “capitais” do estado, somente Joinville teve saldo positivo de 135 vagas no mês. Tiveram saldos negativos Florianópolis (-611), Criciúma (-224), Lages (-106) e Chapecó (-186). Itajaí fechou o mês com -496.
Expectativa para os próximos meses
A Fiesc, que acompanha de perto o mercado de trabalho vê com otimismo os próximos meses. A entidade avalia que existe expectativa de recuperação gradual no ritmo de contratações, condicionada a eventuais flexibilizações na política monetária e manutenção da massa salarial no estado.
Segundo a entidade, se os juros caírem, é possível que o mercado de crédito no país seja retomado, o consumo interno cresce e os investimentos também, o que resulta em mais empregos. Mas esse ainda é um cenário incerto porque o banco central dos Estados Unidos sinalizou que pode aumentar os juros e isso impacta na economia brasileira.
