Ao mesmo tempo em que mantém elevados investimentos na ampliação da capacidade produtiva e renovação de equipamentos, a Klabin, maior produtora de papel e celulose do país que tem quatro fábricas em Santa Catarina, acelera em inovação. A companhia anunciou terça (12) investimento de R$ 32 milhões em um parque de plantas piloto para pesquisa, desenvolvimento e inovação em Telêmaco Borba, Paraná, e apresentou o Klacup Bio, uma solução para substituir copos e outros itens descartáveis de plástico.
A comunicação foi na abertura do 2º Inova Klabin, evento na Oca do Ibirapuera, em São Paulo, para motivar colaboradores no mundo da inovação. Na palestra de abertura, o presidente da Tecnisa e professor do Insper, Romeo Busarello, alertou que praticamente todos os negócios serão movidos pela tecnologia digital, muitos vão acabar e é preciso mudar e estudar.
A diretoria da empresa explicou que a nova planta piloto vai abrigar testes de pesquisas de celulose microfibrilada (MFC) para serem usadas na produção de papel; e de lignina, um produto derivado de pinus e eucaliptos. Segundo o diretor de Tecnologia Industrial, Inovação, Sustentabilidade e Negócio Celulose da companhia, Francisco Razzolini, essas matérias-primas serão usadas para compor produtos modernos que serão lançados ou para exportação.
As pesquisas integram as atividades do centro de inovação aberto ano passado no município paranaense. Ainda na área de tecnologia, a Klabin adquiriu este ano 12,5% do capital da startup israelense Melodea Bio Based Solutions, pioneira na extração da celulose nanocris. E em 2016, estreou na produção de celulose fluff.
Sobre o papel cartão para substituir copos e embalagens de alimentos, Razzolini informou que o produto já é exportado e deve chegar ao mercado interno no último trimestre do ano que vem.
Questionado se as embalagens de papel vão acabar fechando empresas no setor de plásticos, o diretor-geral da Klabin disse não acreditar nisso. Segundo ele, será um processo gradativo e os fabricantes tendem a se adaptar às mudanças. Citou o caso da proibição de canudinhos que já motivou esses fabricantes procurarem a Klabin para ter matéria-prima para fabricar a opção de papel.
R$ 100 milhões em SC
A Klabin investe, anualmente, em torno de R$ 700 milhões na ampliação da produção e melhoria operacional das suas unidades. Santa Catarina está recebendo R$ 100 milhões este ano, segundo o diretor-geral da companhia, Cristiano Teixeira (foto). O acumulado dos últimos cinco anos supera R$ 600 milhões no Estado, observa o diretor de Embalagens do grupo, Douglas Dalmasi.
A unidade de Lages é a mais produtiva e a maior fabricante de sacos de papel do mundo, destaca Dalmasi. Tem mil empregados e produz 800 milhões de unidades/ano. As plantas de Correia Pinto e Otacílio Costa produzem papel; e a de Itajaí, faz caixas de papel. Além disso, a Klabin tem mais duas empresas florestais que empregam 400. O grupo oferece 3.150 empregos diretos em SC.
A fábrica de Lages, além de atender o mercado interno, exporta para 40 países.
*A colunista viajou a convite da Klabin