As compras a prazo, que significam uso de crédito para consumo, são constantes na maioria das famílias de Santa Catarina. Atualmente, 78,2% têm parcelas a pagar, mas o perfil do endividamento é diferente conforme a renda, mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) realizada pela Fecomércio SC. A classe média alta financia mais bens duráveis e a classe média, financia consumo de curto prazo.
Essas diferenças podem ser observadas na pesquisa PEIC porque ela mostra o consumo de famílias com renda até 10 salários-mínimos, que hoje chega a valor de até R$ 16.210, e acima de 10 salários-mínimos.
“O retrato que emerge não é de um grupo mais ou menos endividado que o outro, mas de dois perfis de endividamento diferentes, que se mantêm estáveis ao longo de quase quatro anos de série: entre os mais ricos, o crédito segue majoritariamente para bens duráveis financiados; entre os mais pobres, para crédito ao consumo de curto prazo, com mais dificuldade de honrar o compromisso”, analisa a economista da Fecomércio SC, Edilene Cavalcanti.
Um exemplo aparece no uso do cartão de crédito, modalidade preferida de compra a prazo dos catarinenses. A pesquisa mostra que 70,2% das famílias têm dívidas com cartão de crédito. Entre as famílias com renda até 10 salários-mínimos, 68,2% têm dívida no cartão, mas acima de 10 salários-mínimos, a média é maior, de 77,2%. A praticidade nesses pagamentos é determinante na maioria das vezes.
A pesquisa mostrou que 16,4% dos endividados têm financiamento de veículo, um bem durável. Entre as famílias de maior renda, 29,9% têm carro financiado e entre as de menor renda, 12,4% têm esses financiamentos.
No caso de casa própria, 9,1% dos endividados têm financiamento, mas entre as famílias que ganham até 10 salários-mínimos, 7,3% têm financiamento de imóvel. Entre os que ganham mais de 10 mínimos, 15% têm imóvel financiado, média mais que o dobro maior.
Crise afeta mais a baixa renda
A economista destacou também, segundo a pesquisa, o momento atual da economia afeta mais as famílias de menor renda. No mês de agosto, 82,3% das famílias de até 10 salários-mínimos em Florianópolis estavam endividadas, contra 64,8% das que têm renda acima dessa média, o que significa 17,5 pontos percentuais de diferença.
A pesquisa mostra ainda que somente as famílias com renda mais baixa usam cheque especial, cheque pré-datado e têm outras dívidas.
As diferenças aparecem também nas compras em lojas por meio de carnês. Esse percentual é de 26,7% no caso das famílias de menor renda e de 10,2% entre as de maior renda. Mas no caso de crédito pessoal em bancos, a média é parecida, cerca de 19% das famílias têm esse tipo de financiamento.
