(Foto: Tasso Marcelo, Agência Estado. BD: 19/09/2011 )
A economia de Santa Catarina é impactada positivamente pelas estratégias do ex-ministro das Minas e Energia e ex-presidente da Vale, Eliezer Batista, que faleceu na noite desta segunda-feira, aos 94 anos, no Hospital Botafogo, Rio de Janeiro. Pai do ex-bilionário Eike Batista, o engenheiro nascido em Nova Era, Minas Gerais e graduado na Universidade Federal do Paraná fez um sobrevoo no litoral catarinense em 1992 e apontou as regiões que poderiam sediar portos com calado profundo, assim podendo receber grandes navios. Indicou Imbituba e o Norte do Estado. Em função disso, foi construído o Porto de Itapoá, Imbituba atraiu investidores privados para o seu terminal de contêineres e há mais dois projetos portuários em andamento, o Terminal Graneleiro Babitonga (TGB) e o Porto Brasil Sul, este último ainda dependendo de licenças para instalação.
Anos mais tarde, no primeiro mandato do governador Luiz Henrique da Silveira, a partir de 2003, Eliezer Batista e o seu sócio, o ex-ministro Raphael de Almeida Magalhães foram contratados para fazer um novo Masterplan ao Estado, um plano estratégico de desenvolvimento. Para esse documento, reforçaram a importância dos portos e de ferrovias para liga-los ao Brasil. Algumas reuniões foram na Federação das Indústrias (Fiesc) em que Eliezer, em conversa informal, contou como aprendia rapidamente idiomas. Disse que falava nove, que sabia mais russo do que português e que aprendeu italiano em três meses quando esteve em Veneza para estudar música.
Em 2011, quando o Porto de Itapoá foi inaugurado, o empresário Hildo Battistella disse que o terminal foi construído em função da informação de Eliezer. Ano passado, quando foi lançado o Porto Brasil Sul, o presidente da empresa investidora, a WorldPort, Marcus Barbosa, também afirmou que o projeto resultou de análise do ex-presidente da Vale.
Há também quem atribui a ele a sugestão para o filho Eike ter avaliado terrenos para instalar o estaleiro OSX em Biguaçu, bem ao lado da Praia da Daniela, situada no Norte da Ilha de SC. O projeto orçado em mais de R$ 2 bilhões, para a construção de plataformas de petróleo, foi lançado com pompa na Fiesc em 15 de setembro de 2009, em evento que Eike foi acompanhado do pai Eliezer. Os ambientalistas e os moradores do Norte da Ilha protestaram contra o tipo de empreendimento e o empresário decidiu levar para o norte fluminense em 2011.
Sempre com olho no futuro e em megaprojetos, Eliezer Batista era conselheiro do filho nos negócios. Quando o império de Eike quebrou, disse que os projetos não foram compreendidos. Com certeza, dos seus sete filhos, Eike era o que mais se parecia com o pai nas estratégias desenvolvimentistas. Só que os projetos do patriarca deram mais certo, a transformação da Vale numa gigante de minério de ferro com destaque para vendas ao Japão e o programa de mineração Grande Carajás, no Pará, Goiás e Maranhão. Inteligente, com cultura global, Eliezer teve participação destacada em mais de 60 anos na economia brasileira.