Cuidados com o meio ambiente e o bem-estar da comunidade são prioridades crescentes nas empresas. Um exemplo é a multinacional de Luxemburgo Armacell, que tem sede latino-americana em São José, na Grande Florianópolis. A empresa acaba de investir cerca de R$ 8 milhões em sistema de tratamento de efluentes gasosos com tecnologia de ponta para eliminar fumaça escura e determinado odor, informa o CEO Mansur Haddad.
O sistema anterior existente estava dentro das normas exigidas pela legislação ambiental brasileira, mas causava algumas preocupações à comunidade local. Então, a Armacell decidiu instalar esse equipamento de fabricação da empresa alemã DURR, denominado RTO, que já está em operação e quase zera as emissões atmosféricas.
A companhia já investiu R$ 70 milhões nas duas fábricas que tem nesse complexo produtivo, oferece quase 200 empregos e tem faturamento anual de R$ 150 milhões.
A multinacional veio para Santa Catarina com a compra da PoliPex, indústria de derivados de polietileno, em outubro de 2016. A partir disso, trouxe para São José também a unidade de espumas elastoméricas que estava em São Paulo. O que impulsionou isso foi a necessidade de concentrar a produção numa unidade só e, também, um incentivo fiscal oferecido por Santa Catarina na importação de matéria-prima.
A Armacell é a única produtora da América do Sul de espumas elastoméricas flexíveis para isolamentos avançados, usados em sistemas de ar-condicionado, aquecimento, tubulações, construção civil, empresas de petróleo e gás e outras. Também faz espumas de engenharia usadas em sistemas de geração eólica, automotivo e transportes.
A fábrica que era a PoliPex produz itens de polietileno para os segmentos de lazer, ginástica e outros. Entre os produtos estão espaguetes de piscina, mantas isolantes para camping, além de tubos de proteção e segurança.
O investimento no RTO foi um marco para a Armacell no país. Isso porque, segundo Mansur Haddad, é um valor elevado diante do porte da empresa. Contudo, foi realizado pela demanda apontada pela comunidade e por estar dentro da estratégia de sustentabilidade da companhia.
Há cerca de três anos, a Armacell foi informada de que a fumaça escura que emitia estava preocupando a comunidade local, apesar de os sistemas de controle estarem dentro das normas. Mansur Haddad, que recém tinha assumido como CEO, disse que percebeu a necessidade de melhorar a relação com a comunidade local e criou um comitê, ao mesmo tempo em que negociava com a matriz a instalação desse equipamento mais avançado de controle de emissões.
– A gente se aproximou muito da comunidade. Levamos a ela apoio principalmente durante a pandemia, com cestas básicas espetáculos artísticos. Vamos fazer também trabalhos nas áreas de meio ambiente e educação. Além disso, existe um programa privilegiando a contratação de pessoas da comunidade quando em igualdade de condições – explica o CEO.
Atualmente, 90% da produção da Armacell é destinada ao mercado brasileiro e 10% para países da América Latina, principalmente Argentina, Colômbia e Chile. Paraguai, Uruguai, Bolívia e Equador também estão entre os compradores.
No Brasil, a Armacell fornece para grandes companhias, algumas das quais com necessidades de qualificação específicas nas áreas de conservação de energia e isolamento térmico e acústico, como labotartórios, entre os quais Instituto Butantan, que usa espumas para isolamento térmico e para proteção contra microrganismos.
Na construção civil, as mantas são colocadas entre as lajes para evitar ruídos. O mesmo produto é usado em peças de automóveis e outros segmentos.
Multinacional investe em tecnologia ponta em SC para conter emissões
Meio ambiente
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Crédito: Estela Benetti