“Ninguém olha por nós”: CEO de têxtil de SC alerta para impactos de importações do Paraguai e fim da taxa das blusinhas

A Atlântica, que há 47 anos foi fundada por um jovem trabalhador do setor têxtil com teares usados, hoje se destaca com produção moderna de 1,2 milhão de peças por mês

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Empresária Susy Ogliari, CEO da indústria têxtil Atlântica e filha do fundador da empresa, diz que está difícil concorrer com importados (Foto: Estela Benetti)

A Atlântica Cama e Banho, indústria têxtil de Brusque, Santa Catarina, que já se reinventou algumas vezes, inclusive de um incêndio, investiu em teares de última geração para seguir crescendo. Mas enfrenta concorrência forte de importados do Paraguai e a isenção da taxa das blusinhas. A empresária Susymeri Ogliari, filha do fundador Antônio Ogliari e CEO da empresa, diz que o industrial brasileiro está se sentindo abandonado pela classe política. “Não tem ninguém olhando por nós”, alerta ela.

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Com trajetória de 47 anos, a Atlântica é uma indústria têxtil que usa algodão brasileiro e transforma em toalhas de alta qualidade. São 1,2 milhão de peças por mês, usando o slogan “Cores do Brasil’ e integrando o ecossistema industrial em região dos municípios de Brusque, Botuverá e Guabiruba, conhecido como o “Vale das Toalhas” do Brasil, por liderar a fabricação desse produto no país.

Veja imagens da empresa Atlântica Cama e Banho, de Brusque, SC:

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“Queremos seguir produzindo. Afirmamos que temos as cores do Brasil, mas temos o Brasil dentro de nós. Queremos seguir gerando empregos aqui e não no exterior. A economia é circular na região onde estamos: nossos funcionários trabalham na empresa, residem perto, consomem nos supermercados daqui, e compram outros produtos nas lojas da região. Assim, o dinheiro circula por aqui. Se começarmos a pegar tudo pronto da China quem vai produzir? Quem vai fazer a economia brasileira girar?”, alerta Susy Ogliari.

Susy Ogliari afirma também que é um desafio tentar competir com os produtos têxteis importados do Paraguai e, também, com os importados via plataformas da China, esses beneficiados pela isenção da taxa das blusinhas.

Isso porque, com menos impostos, chegam ao Brasil com preços muito acessíveis e competem com os produtos brasileiros que são de maior qualidade e têm o impacto de todos os impostos e outros custos locais. Para a empresária, se os importados têm taxação menor, o mesmo deveria ser oferecido para o produto nacional.

De acordo com CEO da Atlântica, com frequência surgem convites ou sugestões para abrir unidade no Paraguai. Mas para uma empresa que tem produção no DNA, começou com teares usados pelo seu pai, quando trabalhava em uma indústria têxtil de Brusque, não dá para aceitar essa migração de produção.

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Segundo ela, além de indústrias brasileiras se instalando no Paraguai, o difícil é ver que alguns empresários que não são do setor criam uma marca, produzem tudo na Ásia, fazem uma etapa da finalização no país vizinho e vendem no Brasil, afetando o mercado de quem fabrica aqui. Na avaliação dela, o governo e o parlamento brasileiro deveriam fazer algo para mudar isso e permitir a continuidade da indústria nacional.  

Para atingir resultados melhores, a Atlântica diversificou produção. Está fabricando toalhas para marcas de terceiros, para hotéis e também para datas especiais de entidades ou empresas.

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Indústria têxtil 4.0

Com um parque fabril integrado por teares importados da Bélgica e do Japão, os mais modernos do mundo, a Atlântica Cama e Banho conta com linhas de produção que operam no conceito de indústria 4.0. Tem teares que fazem toalhas com listras em relevo no próprio tecido e toalhas com jacquard.

Na próxima etapa, da confecção, também se destaca a indústria 4.0. Máquinas produzem toalhas de banho e de rosto. As operadoras de máquina controlam o processo produtivo em painel automatizado. E a etapa seguinte, de controle de qualidade, é feita totalmente por pessoas.  

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Design com tecnologia

Os teares mais modernos do mundo permitem mais criatividade no design. As toalhas planas ganham desenhos da natureza em jacquad.

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Essa tecnologia foi destaque na coleção de praia criada no ano passado pela neta do fundador, a estudante de design Ana Julia Ogliari, de 19 anos, que teve como tema “Encontros” e foi inspirada na natureza. Ela criou quatro toalhas, com desenhos de animais marinhos do litoral brasileiro ou da flora da região.

Três gerações na Atlântica

Fundada em 1º de março de 1979 pelo empreendedor Antônio Ogliari, que depois de atuar em duas indústrias têxteis tradicionais de Brusque decidiu abrir o próprio negócio, a Atlântica é uma empresa que segue com gestão familiar.  

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O fundador preside o conselho, seus três filhos atuam na empresa e a terceira geração também está ingressando nas atividades. Susy Ogliari, a mais velha dos filhos, assumiu a direção geral como CEO e lidera trabalho que prioriza itens mais sofisticados e de maior valor agregado.

O filho do meio, Fabrício Ogliari está na área produtiva. Ele lidera a tinturaria. E o Toninho Ogliari, o mais novo, faz a gestão da empresa Porto Franco, que inclui confecção e lojas com vendas de itens de cama, mesa e banho.

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Showroom em casarão histórico

Um destaque da empresa, situada no bairro Rio Branco, é o showroom em frente da fábrica, instalado em casarão histórico de arquitetura portuguesa, construído na década de 1890. No espaço, a empresa expõe seus produtos e também recebe clientes de todo o Brasil.