“No caso de AVC, a gente tem que voar para o hospital”, alerta neurocirurgião

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Equipe do Hospital Baía Sul que trata AVC Foto: Regina Alpini, Divulgação

O acidente vascular cerebral, mais conhecido como AVC, é a terceira causa de morte no Brasil e a primeira nos Estados Unidos. Aqui, perde para o câncer e problemas isquêmicos no coração. Como o AVC é a doença que mais deixa pessoas incapacitadas no mundo e quanto mais rápido o tratamento maiores as chances de cura, o paciente precisa ser atendido imediatamente.

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Aproveitando a data internacional da doença, 29 de outubro, diversos hospitais catarinenses promoveram eventos para alertar sobre o problema. Em palestra na semana do AVC do Hospital Baía Sul, de Florianópolis, intitulada Tempo é Cérebro, um dos neurocirurgiões da instituição, Willian Baia, alertou que quando o problema ocorre é preciso “voar” para o hospital.

A gente tem transplante de coração, mas não tem transplante de cérebro. Então, se no caso de um infarto a gente tem que correr, num AVC isquêmico, que é um tipo um infarto cerebral, a gente tem que voar para o hospital. Isso porque um neurônio com cinco minutos sem comida morre. Uma célula do miocárdio aguenta aí duas horas, três horas, quatro horas. Então, para AVC, é preciso ser The Flash – alerta o médico.

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Quanto antes o paciente chegar a hospital especializado para atendimento é melhor porque o remédio na veia pode ser ministrado até 4h30min depois e a trombectomia mecânica (desobstrução do AVC isquêmico por um cateter) deve ser feita até 6h depois. Esse procedimento de trombectomia pode ser realizado até 24 horas após, mas, quanto antes melhor porque a perda de cérebro é menor.

As pessoas precisam ficar atentas para os sintomas do acidente vascular cerebral. O neurocirurgião explica que são os que acontecem subitamente, causando dificuldades para andar, sorrir, falar, compreender, se movimentar ou causa forte dor de cabeça. No caso de qualquer sintoma súbito desses é preciso suspeitar e procurar atendimento hospitalar imediato porque, se não, causa incapacitações incuráveis, com altos custos para as famílias e a sociedade.

A médica intensivista do Hospital Baia Sul, Jaqueline Flores Rohr, especialista em doente crítico, também alerta sobre a importância da procura imediata por atendimento especializado.

– A população tem mais claro o que é um infarto no coração. Mas infarto no cérebro é a mesma coisa, só que o cérebro morre muito mais rápido do que o coração, então eles têm que chegar muito rápido para um atendimento muito mais precoce. A pessoa não pode ficar em casa esperando melhorar – orienta Jaqueline Rohr.

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Existem dois tipos de AVC. O isquêmico, que consiste numa obstrução do sangue ao cérebro e representa mais de 80% dos casos; e o hemorrágico, que gera consequências mais graves.

O Hospital Baía Sul adotou em 2015 o protocolo internacional Stroke, com base no qual orienta suas equipes para que atendam rápido o paciente com suspeita de AVC desde que chega na portaria. O primeiro procedimento é fazer uma ressonância magnética ou tomografia para identificar especificamente o problema, explicou o neurorradiologista Bruno Lopes. As imagens mostram se é AVC e os danos causados, o que vai embasar os passos do tratamento.

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Um óbito a cada 5 minutos

Jorge Moritz, também neurocirurgião do Hospital Baía Sul, apresentou no evento um cenário sobre ocorrências de AVC no Brasil e nos Estados Unidos, onde as estatísticas são um pouco mais fidedignas. Segundo ele, no Brasil a doença causa um óbito a cada 5 minutos. São 105 óbitos por ano, uma média de 56,6 para cada 100 mil habitantes por ano.

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Nos Estados Unidos, ocorre um AVC a cada 40 segundos e um óbito a cada 4 minutos, vão a óbito 140 mil pessoas por ano, num conjunto de população de 320 milhões de habitantes. Os custos de tratamento do problema são da ordem de US$ 34 bilhões por ano.

Cuidados na recuperação

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Quando o paciente tem um AVC, pode ficar com sequelas caso o tratamento não tenha sido imediato. Entre os problemas mais comuns estão a dificuldade para se alimentar, falar, compreender e se locomover. No aspecto da alimentação, existe o risco de o paciente ingerir algo e, pelos efeitos da doença, esse alimento ir para o pulmão, causando outros problemas graves de saúde, observa a fonoaudióloga do Hospital Baia Sul, Maria de Fátima Tomazeli. Por isso a equipe de fonoaudiologia da instituição, após analisar a situação de cada paciente, define a consistência da dieta.

– O objetivo é a prevenção da broncoaspiração – explica Fátima Tomazeli.

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O tratamento com fonoaudiologia após o incidente também é realizado para melhoria da fala e compreensão, quando necessário.

Como prevenir AVC

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A prevenção é fundamental para evitar ou postergar a doença. Os cuidados são muito parecidos com os indicados para o coração. É preciso controlar a pressão arterial, cuidar da glicose e diabetes, controlar o colesterol, fazer atividade física, evitar sobrepeso, evitar consumo de cigarro e bebidas alcoólicas, controlar o stress e dormir bem.

Hospitais capacitados

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É importante todos saberem quais são os hospitais que estão preparados para tratar AVC nas suas cidades ou na região. Como “Tempo é Cérebro”, se for ao hospital certo o paciente não perde tempo esperando onde não pode ser atendido. Caso o hospital não esteja em condições de efetuar o atendimento necessário, deve correr para outro.

Na Grande Florianópolis, os hospitais que atendem essa especialidade são o Celso Ramos, que atende pelo SUS e o Hospital Baía Sul, que atende convênios e pacientes privados.

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Em Joinville, a maior cidade catarinense, são três hospitais. O São José, que atende SUS, mais o Hospital da Unimed e Hospital Dona Helena, que prestam serviços a planos de saúde e privados.