A palestra magna de encerramento do Startup Summit 2026, um dos maiores eventos de tecnologia da América Latina, realizado de quarta-feira até sexta (de 26 a 28 de agosto) no Centrosul, em Florianópolis, foi com o empresário e professor israelense Uri Levine, cofundador do Waze e do Moovit, duas startups sobre mobilidade urbana vendidas por cerca de US$ 1 bilhão. Empresas com esse perfil e valor são denominadas “Unicórnios”, tema da palestra dele no evento: “Building Unicorns”, construindo unicórnios. Como conseguir? “Escolher um problema que afeta a maioria e se apaixonar por ele”, recomendou.
O Waze, aplicativo que usa informações do GPS e internet para orientar deslocamentos de trânsito foi fundado por Uri Levine, Ehud Shabtai e Amir Shinar em 2007, em Israel e, em 2013, foi vendido para o Google por US$ 1,1 bilhão.
Veja mais fotos de Uri Levine em palestra no Startup Summit, em Florianópolis:
Depois, Uri Levine fundou, com outros sócios, o Moovit, um aplicativo para descolamentos com transporte público que foi vendido para a Intel por quase US$ 1 bilhão em 2020. Assim, ele entrou no seleto grupo dos empreendedores de todo o mundo – cerca de 100 – que já fundaram dois unicórnios.
Também professor universitário e autor dos livros “Apaixone-se pelo problema, não pela solução” e “O Simples Vence”, Uri Levine enfatizou para a plateia do Startup Summit que para ter empresa de tecnologia com atuação mundial, é preciso resolver um problema que afeta a maioria das pessoas. E essa solução precisa ser o mais simples possível, muito acessível para ser utilizada.
“Pense no seguinte: Google Search, Waze, iPhone, Uber, WhatsApp, Amazon, ChatGPT, Instagram. O que tornou esses produtos ou empresas bem-sucedidos? Tecnologia? Pioneirismo? Execução? Sim, todas essas características, mas nenhuma delas! Simplicidade! A simplicidade é a máxima sofisticação”, informou o empresário.
Histórias sobre o uso do Waze
Não são poucas as pessoas que, mesmo sabendo trajetos, fazem questão de usar o Waze sempre que se deslocam porque assim, podem evitar entrar em um engarrafamento. São milhares de dependentes do Waze pelo mundo, incluindo um dos filhos do empresário Uri Levine.
Ele decidiu encerrar a palestra contando uma historinha curiosa sobre o uso do aplicativo em casa. Disse que um dos seus filhos, de 28 anos, que desde os 18 anos adora dirigir, o surpreendeu quando pediu uma carona.
Tinha que ir ao aeroporto pegar um avião e pediu para o filho o levar até o terminal. Mas o jovem disse que não poderia porque o seu celular não estava funcionando. Então ele falou: “filho, eu sei o caminho do aeroporto, informo para você como chegar até lá”. Mas ele respondeu: “Mas eu não saberei voltar para casa sem o celular!”.
É um exemplo que mostra como as pessoas estão dependentes da tecnologia. Nesse caso, o celular seria determinante para informar a rota de deslocamento. Outra história contada por Uri Levine foi de um senhor que o agradeceu por salvar seu casamento. “É que a minha esposa não briga mais comigo enquanto estou dirigindo porque uso o Waze”, explicou.
Quando ter e não ter pressa
Outro conselho de gestão enfatizdo pelo empresário é o foco na equipe, ou seja, ter a equipe certa para atuar no desenvolvimento da startup ou empresa. Recomendou que é preciso atenção já no primeiro mês de entrada do colaborador. Se o desempenho não foi o desejado, é melhor substituir logo.
Isso porque o desafio de startups é grande e o risco de fracassar também. Segundo ele, quem não fracassou, não criou coisas novas.
O empresário também alertou que é preciso ter paciência para conseguir a maturidade de uma inovação inédita no mercado. Em média, a aceitação geral não acontece nos primeiros anos. Pode demorar de cinco a 10 anos.
No caso do Waze, até fazer os ajustes necessários e apresentar resultados positivos, foram necessários mais de cinco anos, de 2007 a 2011. Já consolidado no mercado, em 2013 foi possível vender por mais de US$ 1 bilhão.




