A nova diretoria do Sapiens Parque, que assumiu nesta quinta-feira (06/03) vai buscar a sustentabilidade financeira do empreendimento, mas mantendo o perfil de parque de inovação. A informação é do diretor executivo André Rezende ao destacar que a privatização não será feita a qualquer custo. Segundo ele, primeiro a nova equipe trabalha para entender bem o negócio, depois buscará a sustentabilidade financeira e o próximo passo será encontrar um parceiro privado para fazer a gestão.
– O DNA do Sapiens está garantido. Ele vai continuar sendo o que sempre foi: um parque de tecnologia e inovação – afirma André Rezende.
Essa é a resposta do novo diretor ao alerta feito pelo professor Carlos Alberto Schneider e também pelo ex-diretor José Eduardo Fiates, sobre o risco de uma privatização transformar o parque tecnológico num negócio com especulação imobiliária. Rezende, que foi eleito dia 7 de janeiro para o cargo, só pode assumir agora porque estava numa outra função. Auditor fiscal da Fazenda de SC, ele é um dos mais experientes profissionais de carreira do Estado. Foi diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Celesc, diretor de compras da Secretaria de Estado da Saúde e também atuou na Junta Comercial do Estado, entre outras funções. Agora foi designado pelo secretário da Fazenda, Paulo Eli, para dirigir o Sapiens.
Conforme Rezende, o orçamento deste ano do parque é R$ 1 milhão menor do que o do ano passado. Ele também destaca que o empreendimento não gera renda própria. Por isso, enquanto não for encontrada a decisão definitiva de privatização da gestão, alguma área pode ser vendida, dentro do perfil do projeto, para cobrir despesas. Hoje, os custos de segurança, preservação e outros são pagos pelo governo do Estado. Entre as fontes de renda estudadas está possível cobrança de condomínio.
– Pela primeira vez o Estado está administrando o parque. O governo nos deu a incumbência de, em curto espaço de tempo, achar uma saída financeiramente viável – afirma Rezende.
Uma área de R$ 420 milhões
Com 4,2 milhões de metros quadrados, dos quais 98% são do governo estadual, o valor do Sapiens Parque, se fosse apenas considerado o preço venal dos terrenos, seria de aproximadamente R$ 420 milhões, aponta uma estimativa ainda não definitiva.
Mas como uma área nobre, que pode receber empreendimentos, tem uma alavancagem de três vezes, o valor total do Sapiens pode ser próximo de R$ 1,2 bilhão, observa Rezende. Atualmente, o Sapiens conta com 57 empresas e três mil trabalhadores. O projeto total prevê 30 mil pessoas.
A principal mudança que o governo planeja para o projeto e que precisa de aprovação de novo plano diretor na Câmara de Vereadores seria incluir algumas torres residenciais para quem trabalha no parque. O projeto original já prevê um centro comercial, apart hotel e unidades de serviços, mas sem residência fixa. Conforme Rezende, há carência de serviços atualmente e pelas necessidades dos modernos centros urbanos, o ideal é que as pessoas não residam longe do local de trabalho.
