As mulheres têm o poder de definir as aplicações da tecnologia para as decisões de consumo. Este reconhecimento é de Paco Underhill, escritor e consultor americano, especialista em consumo e CEO da Envirosell, empresa de Nova York que presta consultoria e pesquisa para vendas.
Ele é a principal estrela da quarta edição do Agile Experience (AEx) maior evento de trade marketing da América Latina promovido pela Involves, empresa de Florianópolis especializada em trade marketing. Underhill, autor de vários livros, entre os quais o best-seller Vamos às Compras e O que as Mulheres Querem, falará nesta quinta (20), quanto também abordará a importância do supply chain e outros temas. Com público de 1,2 mil pessoas, o AEx abriu nesta quarta-feira e vai até esta quinta no Costão do Santinho, em Florianópolis.
Como as tecnologias estão ajudando a impulsionar as decisões de vendas?
Paco Underhill – A tecnologia influencia o comércio em dois lados. Um é o do mercado, das vendas finais, e outro é a parte de supply chain, ou seja, a cadeia de suprimentos. O suppy chain não é tão visível, mas é muito importante para a economia. No caso das vendas finais, o smartphone melhora a qualidade da minha vida porque permite muitas aplicações. Mas quando se fala em tecnologia, é importante reconhecer o poder feminino. O poder da tecnologia vem do lado feminino porque as mulheres têm o poder de definir as aplicações. Elas foram as primeiras a operar telefones, computadores e caixas eletrônicos automáticos de bancos. Eu penso que a tecnologia está impactando a forma como a gente vive, mas precisamos olhar pelos olhos das mulheres.
O senhor escreveu o livro intitulado O que as mulheres querem. Elas continuam consumindo do mesmo jeito?
Paco – Este vai ser um dos assuntos da minha palestra aqui em Florianópolis nesta quinta-feira. Sou um homem grande, idoso, que fala sobre a forma como as mulheres consomem. Minha esposa ainda grita comigo quase todos os dias. Eu faço a maioria das compras na minha casa e cozinho porque a minha esposa cresceu num restaurante, por isso tem mais prática para cozinhar para 20 pessoas do que para duas. Eu penso que no Brasil, as mulheres gastam muito tempo do dia para se deslocar da casa para o trabalho e vice-versa porque o trânsito é terrível. Quase todos os tipos de compras no Brasil são feitos com deslocamentos de automóvel. Na minha vida, por exemplo (em Nova York), eu vou caminhando para o trabalho e também para fazer compras.
Acredita que a maioria das pessoas no mundo, no futuro, buscará um estilo de vida parecido com o seu?
Paco – Eu penso que particularmente entre os consumidores mais jovens, há uma tendência de fazer mais deslocamentos caminhando, tanto para o trabalho quanto para comprar.
Que mudanças estão ocorrendo no varejo em função do uso de dados?
Paco – Eu trabalho com isso. Fazemos pesquisas em 46 países e no Brasil estamos há 23 anos. Temos diversos clientes no Brasil, desde banco até indústrias. Com a tecnologia, é muito fácil coletar dados, mas muito difícil usá-los. Avaliamos o fluxo de cliques nos smartphones e a partir disso dá para ver o que a pessoa faz. Os jovens têm uma maior participação digital, por isso temos mais informações sobre eles do que de pessoas mais velhas. Eu poderia oferecer um trabalho para colocar um software no celular de uma pessoa para pesquisar suas decisões de consumo. Se ela começar a comprar no site da L’Oreal, posso avaliar sua forma de comprar, ver se tem dificuldades e usar essas informações para um web design criar uma forma mais fácil de comprar. É possível avaliar onde há ganhos ou perdas.
Como avalia essa tendência dos consumidores ultrajovens de não ter muitos bens. Não ter carro, não ter casa….
Paco – É muito o ponto de vista da mulher tentando deixar a vida mais fácil. A propriedade se tornou mais complexa. Se você compartilha o carro, reduz a necessidade de cuidados, de reparos, fica mais fácil.
O senhor acredita que o consumismo vai ter retração no mundo porque as pessoas vão pensar mais na preservação ambiental?
Paco – Sim. Há uma tendência grande, começando na Alemanha e em países escandinavos para redução de consumo de embalagens de plástico em pelo menos 30%. Um dos países que pesquisam mais substitutos para embalagens de plástico é a África do Sul. Um copo de plástico pode ser reciclado. Uma lata de cerveja pode ser reciclada, o que exige gasto de energia, ou só amassar ela e fazer um telhado, o que não requer custos. Na África do sul, um painel de trade marketing é feito para um evento de um lado e atrás são feitos mapas para depois serem usados em colégios, por exemplo. As impressões nos displays de trade marketing são baratas e criativas. O problema é que não temos um governo global e eu tenho vergonha da atuação da ONU. Em minha coluna no New York Times sugeri que a sede da ONU fosse transferida de Nova York para Jerusalém. Lá ela ficaria mais próxima dos problemas para resolvê-los.
Qual o futuro dos shopping centers?
Paco – Eu trabalho há um tempo com shopping centers. Nossa empresa atende 26 no Brasil. Os shoppings brasileiros oferecem três coisas importantes. Uma delas é a segurança. Num shopping Iguatemi, por exemplo, você não precisa se preocupar com o risco de alguém atirar em você. Outra coisa é a higiene. Os banheiros estão limpos. E o terceiro ponto é o controle climático. Você tem proteção para chuva, frio e calor. Então, o futuro dos shoppings no Brasil e nos EUA é bem diferente. Temos os Malls nos EUA e os Alls no Brasil, que oferecem lojas, supermercados, escritórios, casa (apartamentos residenciais) e estacionamento.
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