A cidade de Florianópolis sedia a 7ª edição da exposição internacional Dislexia Quando Arte, que neste ano reúne trabalhos de 32 artistas de nove países. Todos eles são disléxicos, uma condição de formação diferente do cérebro pela qual eles aprendem de forma diferente, mas a maioria tem inteligência acima da média. Este é o ponto comum da exposição no Brasil com o MIT (Massachusetts Institute of Technology), universidade que tem muitos professores e estudantes gênios e disléxicos.
Quem propagou essa fama do MIT foi Nícolas Negroponte, disléxico, professor de ciência da computação da instituição e fundador MIT Media Lab. Para reforçar que a instituição tem muitas mentes brilhantes disléxicas, ele usou de forma irônica a expressão “MIT Disease” (Doença do MIT), porque dislexia não é doença. Mas enquanto na população comum de 10% a 15% têm esse transtorno, na renomada universidade americana o número é bem maior, embora ela não revele quanto por cento.
Veja mais fotos sobre a 7ª Mostra Dislexia Quando Arte em SC:
Uma exposição global
A mostra Dislexia Quando Arte, uma realização do Instituto Domlexia, abriu sábado (03) de outubro e vai até 01 de novembro na sala Lindolf Bell do Centro Integrado de Cultura (CIC) em Florianópolis. Neste ano, conta com artistas do Brasil, Irlanda, Coreia do Sul, Austrália, Nigéria, Noruega, Portugal, Estados Unidos e Espanha.
Tendo como tema central “Rascunho”, os trabalhos são em 10 áreas artísticas diferentes, entre as quais pintura, escultura, fotografia, dança, literatura, audiovisual, poesia e música. O tema permite destacar o processo criativo, que é diverso, dependendo do estilo de cada artista.
Arte e educação
A mostra internacional para valorizar artistas disléxicos foi uma iniciativa, em 2020, da fundadora do Instituto Domlexia, Nadine Heisler, com o objetivo de valorizar profissionais que têm esse aprendizado diferente. Engenheira de formação, mas educadora por profissão, ela mergulhou no mundo da dislexia porque tem uma filha disléxica, a Ana Wassmer.
Na busca de ajuda para a alfabetização da filha, Nadine fez diversos cursos de especialização no exterior, em renomadas universidades. Atualmente, está fazendo mestrado na Tempere University of Applied Sciences, da Finlândia. Atualmente, por meio do instituto, uma das atividades que faz é colaborar na formação de professores para que consigam identificar casos de dislexia nas escolas e sobre métodos de aprendizagem.
O tema “Rascunho”
A Mostra Dislexia Quando Arte Rascunho, de 2026, contou com a curadoria de Oscar D’Ambrosio, pós-doutor e doutor em educação, mestre em artes visuais, curador e crítico de arte. Foi ele que fez a seleção dos 32 trabalhos expostos. Cada um conta com um histórico do artista e um depoimento sobre a participação na mostra.
O tema da exposição Rascunho visa atenção para o processo criativo, quando a obra requer tentativas e mudanças. O curador Oscar D’Ambrosio explica que a exposição reúne somente artistas com dislexia, mas não pretende estabelecer uma única relação entre dislexia e criatividade. Ela coloca lado a lado diferentes trajetórias e convida o público a ampliar seu olhar sobre neurodiversidade, diferença e processo criativo.
Para ampliar aprendizagem
A mostra sobre dislexia visa chamar a atenção para essa formação neurológica diferente e a importância de ensinar as crianças na idade certa, mesmo as que aprendem de forma diferente. Esse não é o único transtorno de aprendizado, mas é um dos que mais impactam porque chega até a 15% da população.
Santa Catarina regulamentou lei federal que define acompanhamento integral de estudantes com dislexia, TDAH e outros transtornos de aprendizagem. Quando as escolas conseguem ensinar na idade certa, essas crianças podem seguir suas vidas desenvolvendo todo seu potencial. Entre disléxicos, por exemplo, têm muito mais empresários e empreendedores, além dos engenheiros que ganharam evidência no MIT.






