O virtuoso impacto do microcrédito em SC: case do Banco do Empreendedor

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Presidente do Banco do Empreendedor, Luiz Carlos Floriani, otimista com o juro zero Foto:Estela Benetti

Entre os indicadores que diferenciam Santa Catarina está a menor taxa de desemprego do Brasil. A última divulgada pelo IBGE, do quarto trimestre de 2019, ficou em 5,3%, menos da metade da nacional, de 11%. Uma das razões desse melhor desenvolvimento econômico está no amplo programa de microcrédito produtivo e orientado do Estado, com 15 instituições. Iniciado há pouco mais de 20 anos, em 1999, esse sistema já emprestou mais de R$ 3 bilhões para pequenos negócios.

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Uma das instituições de sucesso desse sistema é o Banco do Empreendedor (BE), que tem sede em Florianópolis e atua em diversas cidades do Estado. Em duas décadas realizou mais de 104 mil operações que somaram R$ 423 milhões em empréstimo, informa o presidente Luiz Carlos Floriani. Rumo ao meio bilhão emprestado, Banco do Empreendedor acaba de lançar a conta digital Empreende + (Empreende mais), que o coloca como uma instituição para atuar em todo o Brasil. Como não pode ter agentes de crédito (o consultor que avalia o negócio para aprovar o empréstimo) em todo o país, vai terceirizar o serviço. Mas, enquanto isso não chega, poderá oferecer cartão de crédito aos novos correntistas.

No ano passado, o Banco do Empreendedor liberou R$ 30 milhões em empréstimos. A maioria das operações ficou no valor de R$ 4 mil. Para este ano, a projeção é de crescimento de 15%, com a liberação de R$ 34 milhões.

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– O importante é que o microcrédito produtivo consiste numa movimentação virtuosa do ciclo econômico. O empreendedor toma recursos porque precisa gerar sua renda. Na hora que ele recebe R$ 1 mil, vai ao mercado comprar matérias-primas ou serviços a serem utilizados para produzir R$ 2 mil. Se ele é informal, nesse passo ele acessa cadeias formais da economia e provoca o mesmo movimento nas cadeias produtivas seguintes, gerando negócios para todos. Já o microcrédito para consumo não proporciona esse mesmo ciclo virtuoso – explica Floriani.

Nos seus 20 anos de atuação, o Banco do Empreendedor já emprestou para negócios de 151 municípios de SC. O sistema de microcrédito, embora use capital público para emprestar, é privado e autossustentável. É o maior sistema de microfinanças privado do país e vem inspirando iniciativas em outros Estados. Os juros não ultrapassam 4% ao mês e a inadimplência é inferior a do mercado.

Conta digital própria

A conta digital do Banco do Empreendedor, a Empreende +, vai permitir à instituição chegar a 10 mil clientes ativos este ano. Hoje são 6.400 clientes ativos. Das contas abertas até agora, 50% são de clientes e 50% de não clientes. Desses, muitos são de outros Estados.

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Juro Zero em expansão

O presidente do Banco do Empreendedor, Luiz Carlos Floriani, avalia que é importante as prefeituras aderirem ao juro zero porque isso fomenta mais negócios. Em SC, além do Programa Juro Zero do Estado, há os dos municípios de Florianópolis e Luzerna, ambos com operação do Banco do Empreendedor. Além disso, mais 30 cidades catarinenses estão em processo de implantação do juro zero.

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A propósito, em função da lei do Microempreendedor Individual (MEI), de 2008, e posteriormente, o juro zero estadual, hoje 70% dos tomadores de empréstimos são formais.

Simplificado, o juro zero consiste em fazer empréstimos em oito prestações. Se o investidor que tomou o recurso paga sete prestações, ele fica dispensado de pagar a última, que é a parte relativa ao juro. Essa última é paga pelo promotor do programa, no caso o governo do Estado ou a prefeitura.

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Empreendedor por necessidade

Os programas de microcrédito ou microfinanças para investimentos são importantes para financiar pequenos negócios de pessoas que perderam o emprego, observa o presidente do Banco do Empreendedor, Luiz Carlos Florianí.

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– Boa parte dos empreendedores, principalmente no Brasil, não empreendem por vocação, mas por necessidade. Isso porque não conseguiram emprego. Da década de 1990 para cá, o país se abriu para o planeta, a evolução tecnológica é fantástica e isso significa substituição de mão-de-obra por máquinas. O lado legal desse movimento é que muitos empreendedores por necessidade criaram novas empresas que hoje empregam muita gente. É por isso que SC tem uma das menores taxas de desempregos do país – explica Floriani.

Econômico ou social?

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Para o presidente do Banco do Empreendedor, mais prefeituras estão descobrindo que, ao fomentar o empreendedorismo, o município precisa investir menos no social porque ao desenvolver seu próprio negócio o trabalhador obtém renda e demanda menos programas sociais.

– Os prefeitos precisam definir qual é a secretaria que precisa ser forte: a de Desenvolvimento Econômico ou a de Desenvolvimento Social. Sempre será necessária uma secretaria de Desenvolvimento Social, mas a partir do momento em que o ambiente de empreendedorismo é forte numa cidade, a pasta do social vai se preocupar apenas com as pessoas que realmente têm necessidades especiais – afirma Luiz Floriani.