Petróleo tem primeiro preço negativo da história e sinaliza custos menores de combustíveis   

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Preços de combustíveis caem novamente Foto:Betina Humeres, Banco de Dados, NSC

Quase sempre vilão de custos altos pelo mundo, causando guerras e crises, o petróleo reservou uma das boas surpresas na economia para bilhões de pessoas: o preço do barril da commodity tipo WTI (West Texas Intermediate), nos Estados Unidos, caiu nada menos do que 305% nesta segunda-feira e derrubou o preço para patamar negativo nesta terça, em – US$ 37,63. Este foi o primeiro preço negativo da história. O motivo são os elevados estoques na região do Texas que produz esse petróleo devido à queda do consumo mundial em função da pandemia.

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O preço negativo desta segunda-feira para contratos para maio que venciam nesta terça-feira. Se alguém realizou negócio nessas condições, teve que pagar R$ 199,7 para um comprador levar. Neste mês de quarentena pelo mundo, o consumo de petróleo caiu e os preços também. A Agência Internacional de Energia prevê uma queda de consumo de 9,3 milhões de barris por dia, o que resultará em consumo global pouco acima de 90 milhões de barris por dia.

Essa queda constante de preço, até com uma inédita cotação negativa, não era imaginada em tempos recentes. Uma das turbulências importantes ocorreu em setembro do ano passado, quando drones do Irã atacaram refinarias da Arábia Saudita, causando alta temporária de preços e atraindo mais retaliações dos EUA. Naquele período, o petróleo referência, o tipo brent, chegou a US$ 65,9. Ontem, na Bolsa de Londres, caiu 8,9% e fechou a US$ 25,57.

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Vale lembrar que duas das mais importantes crises econômicas enfrentadas pelo Brasil forma causadas por altas do petróleo. Uma em 1974, após o preço da commodity subir de US$ 5 para US$ 17 em dezembro de 1973 e em fevereiro de 1974 subir para US$ 39. A outra foi começou em fevereiro de 1979, quando o barril subiu de US$ 22 para US$ 51, seguiu variando e no final daquele ano, em novembro, teve alta de US$ 40 para US$ 87. Tudo em função das pressões dos países produtores.

Recentemente, além da queda do consumo devido ao coronavírus, os países produtores têm promovido disputas de preços para evitar queda expressiva da maior fonte de renda das suas economias.

Redução de preço no Brasil

No Brasil, o consumo de gasolina chegou a cair até 60%, informou a Petrobras. Diante da queda constante dos preços mundiais, a companhia reduziu a partir desta terça-feira, o preço da gasolina em 8% e do diesel em 4%. A mudança pode demorar a chegar nos postos porque há estoques elevados, dólar alto e também todos os custos e impostos que incidem sobre os combustíveis no Brasil.

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Esse derretimento dos preços internacionais de petróleo parece significar a antecipação do futuro, quando muitos preveem e desejam o uso maior de energia limpa. Mas não dá para esperar uma guinada tão grande. Ela vai ocorrer em função da queda da demanda devido à recessão causada pelo novo coronavírus, não por opção de uso de energia mais sustentável. Isso porque o mercado ainda não está preparado para isso. Passada a crise da Covid-19, é provável que o consumo volte ao que era antes. A boa notícia para o consumidor é que o mercado prevê um patamar menor de preços internacionais. A Petrobras trabalha com preço futuro em torno de US$ 25.