“Podemos desenvolver um robô de baixo custo”, diz Muschellack, da Funação Certi

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Erich Muschellack, o novo superintendente da Fundação Certi Foto:Fernando Villadino, Divulgação

Entre as instituições que impulsionam a inovação no Brasil está a Fundação Certi, de Florianópolis. Desde o início deste mês, ela está sendo liderada pelo empresário catarinense Erich Muschellack, que tem uma trajetória empreendedora de sucesso e, agora, aceitou o desafio presidir a Certi, sucedendo o engenheiro José Eduardo Fiates. Nesta entrevista, ele diz que a fundação vai priorizar soluções à indústria 4.0, telefonia 5G e empreendedorismo e também atenderá mais médias e pequenas empresas. Para isso, planeja desenvolver até um robô. Confira a entrevista.

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A carreira

“Sou engenheiro eletrônico, me formei em Joinville, e fiz mestrado em computação na COPPE/UFRJ, no Rio de Janeiro. Comecei trabalhando no desenvolvimento de produtos na SID Informática, uma das primeiras empresas de computadores do Brasil. Em 1985, eu e mais três colegas de trabalho saímos para montar nossa empresa, a Procomp Indústria Eletrônica, em São Paulo.

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No início dos anos 90 assumimos a liderança nacional em automação bancária. Em 1998, fizemos a urna eletrônica (em parceria com a Certi). Em 1999, recebemos oferta de compra da americana Diebold e vendemos a empresa. Fiquei mais três anos nela em função de contrato. Depois, passei a investir em startups e acabei vindo para Florianópolis. Sempre gostei de morar perto do mar”.

Desafio na Certi

“Como Procomp eu fui cliente da Fundação Certi. Eu contratava projetos aqui na década de 90. Depois, fui convidado para o conselho e fiquei nove anos como conselheiro. Fui parceiro da fundação em vários projetos. Na CVentures eu fui o primeiro a dizer sim para formar o primeiro fundo. Sempre fui parceiro da Certi, admiro muito a seriedade do trabalho. Além disso, a Certi faz o que sempre fiz nos últimos 40 anos de vida profissional, o que eu gosto de fazer. Então, agora, quando o José Eduardo Fiates (então presidente da fundação) me convidou, eu aceitei”.

Indústria 4.0 e 5G

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“Vou priorizar três áreas estratégias na Fundação Certi: indústria 4.0, telefonia 5G e empreendedorismo. Na área de inovação tecnológica há duas ondas passando que temos que pegar. Uma é a da recuperação econômica do Brasil, que começou. As empresas vão ter que melhorar a sua competitividade.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu abrir o mercado e a competitividade das empresas passa pelo conceito da indústria 4.0 que une robótica, inteligência artificial e uma série de outras tecnologias. A Certi tem competências nessas áreas e pode ajudar muito as indústrias. Sobre a Telefonia 5G, é uma tecnologia que vai permitir novas aplicações tecnológicas, muitas que não imaginamos. Então, precisamos estar preparados para atuar nisso e oferecer ao mercado”

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Empreendedorismo

“Uma das prioridades nossas na Fundação Certi será o empreendedorismo. Ela conta com diversas iniciativas, como o Sinapse da Inovação, aceleradora Darwin, incubadora Celta e a investidora CVentures. Essas iniciativas estão trabalhando um pouco independentes demais. Há sinergias entre elas que podem ser aproveitadas para melhorar tanto o desempenho das startups, as chances de crescimento e sucesso delas, como beneficiar a Certi. Estamos discutindo ideias novas para agregar novas iniciativas a esse ecossistema para ele ser cada vez mais forte, com trabalho em conjunto com a Acate”.

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Mais P&D e um robô

“As pequenas empresas, muitas vezes não têm condições econômicas e financeiras para investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Fazer P&D é caro, é preciso de excelentes profissionais, bem remunerados, ter equipamentos e laboratórios. O que eu penso é formar pacotes por setor e fazer projetos que beneficiam várias empresas de um mesmo setor. Eu quero dar foco para médias e pequenas empresas para que sejam mais competitivas utilizando o conceito de indústria 4.0, com uso da robótica. Acho que podemos desenvolver um robô de baixo custo. Isso pode agregar muito em produtividade às empresas”

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Com universidades

“A Certi, como instituição, pode ser vista como um trampolim profissional. Então, ela pode ser um canal para alunos que se formam nas universidades – já temos parcerias com a UFSC e a Udesc – mas serve para todas as universidades. Isso é bom para os profissionais e para a fundação também porque novas pessoas trazem novas ideias. Quando as empresas perceberem que a Certi é um trampolim de bons profissionais, elas vão ter interesse em procurar essas pessoas”.

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Antecessor fala da importância da integração

O executivo e engenheiro José Eduardo Fiates, logo após passar o cargo de superintendente da Fundação Certi ao empresário Erich Muschellack, falou para a coluna sobre os desafios que enfrentou no cargo desde 2015 e sobre a importância da integração do ecossistema de inovação. Confira:

Em tempos de crise

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“Pegamos um período de contexto difícil nacional e internacional, fase em que as empresas cortam investimentos. O primeiro elemento a ser cortado é a inovação. Então foi um período complicado. Além disso, a Certi tem um passivo e acabou concentrando um período da dívida na nossa gestão. Mas são problemas que têm que ser enfrentados”.

Negócio da inovação

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“O negócio da inovação como um todo, num instituto de tecnologia, não é trivial porque você tem que trabalhar com equipes motivadas, criativas, estimulando instrumentos de gestão que têm que ser, ao mesmo tempo, profissionais mas flexíveis, disciplinados e criativos. Jogar sempre com esses dois lados da balança é um desafio. A gente aprendeu muito com erros e conseguiu fazer uma série de acertos. Do ponto de vista dos resultados gerais, a Fundação Certi cresceu muito nesse período”.

Conquistas na gestão

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“Na minha opinião, tivemos duas conquistas importantes. Uma é a compreensão de que a força da Certi está na integração das áreas tecnológicas, um trabalho conjunto entre os centros para resolver problemas cada vez mais complexos, desafiadores e multitemáticos. Essa capacidade de trabalhar conhecimentos distintos, de maneira integrada, e gerar uma solução que atenda o cliente é o que faz a diferença da Certi.

E outro ponto positivo foi essa integração com o ecossistema, o relacionamento com entidades de classe, com os empreendedores para que tornasse a Certi mais amigável, mais empática em relação a outras entidades. O network é um elemento fundamental na sociedade de hoje. Essa relação com toda a sociedade e empresas, governo, imprensa é fundamental. A gente demorou um bom tempo para implantar uma integração entre os centros e fazer com que todos percebam a importância do relacionamento institucional e do networking”.

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Aproximação de instituições

“No ano passado, compartilhei meu tempo entre a superintendência da Certi e a direção de Inovação da Fiesc. Conversei bastante com conselheiros da Certi e a diretoria da Fiesc sobre a importância da aproximação das entidades, incluindo a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) e as universidades para promover essa integração.

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Quando chegou o momento da sucessão na Certi, eu vi que se não tivesse a oportunidade de ter uma pessoa como o Erich Muschellack, talvez a direção fosse outra. Mas existia a chance de dar um salto, trazer uma pessoa que representa, reputação e prestígio para a Fundação Certi. Não é comum um instituto de tecnologia atrair um profissional com esse histórico que tem o Erich. Entendi que é uma oportunidade que se somava à possibilidade de eu continuar a minha contribuição ao ecossistema por meio da federação”.