A Caixa Econômica Federal passou a divulgar no Portal da Transparência os dados de todo o país sobre as solicitações do auxílio emergencial. Em Santa Catarina, 1.167.252 de pessoas solicitaram e estão recebendo o benefício, o que corresponde a 16% dos 7,2 milhões de habitantes do Estado. A média é inferior à do Brasil. Dos cerca de 211 milhões de brasileiros, 58,6 milhões solicitaram o auxílio, o que corresponde a 27,8%.
Esse número de Santa Catarina surpreende num primeiro momento, parece elevado frente aos diversos indicadores positivos do Estado, especialmente a menor taxa de desemprego, que no final de março estava em 5,7%. Mas quando se observa os números gerais de pessoas mais vulneráveis no Estado, especialmente os apresentados pelo IBGE, é possível concluir que os pedidos de auxílio estão até abaixo do número total de vulneráveis e que podem ter sido afetados pela crise econômica da pandemia.
Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) Divulgação Trimestral, do IBGE, relativa ao primeiro trimestre deste ano, Santa Catarina tinha no período 822 mil trabalhadores por conta própria. Nesse grupo estão os cerca de 418 mil empreendedores individuais (MEIs).
Além disso, o IBGE apurou que 215 mil catarinenses estavam desempregados, procurando emprego. A pesquisa apurou ainda que 218 mil pessoas estavam trabalhando para o setor privado sem carteira assinada. Somente nesses três grupos são 1,255 milhão de trabalhadores.
Soma-se ainda aos beneficiados pelo auxílio emergencial quem recebe Bolsa Família. No Estado, segundo o Portal Transparência, são 112.741 famílias, o que representa apenas 1,56% do total de catarinenses. Também puderam solicitar o auxílio emergencial profissionais liberais que tinham média de renda mais alta mas que, com a parada total da economia devido ao isolamento para prevenção do novo cornavírus, ficaram sem renda temporariamente.
Quem perdeu o emprego durante a pandemia não pôde solicitar o auxílio porque tem o benefício do seguro-desemprego. Pesquisa feita pelo Sebrae/SC e a Fiesc estimou que que 530 mil catarinenses perderam ou vão perder o emprego devido à crise do novo coronavírus.
Esses números gerais sinalizam que, se em Santa Catarina teve quem pediu o benefício sem merecer, não foram muitos.
A recolocação das pessoas no mercado, tanto formal quanto informal, vai depender de um bom ritmo da retomada da economia em todo o país após a crise da Covid-19. Por enquanto, a situação está mais difícil nas regiões Sudeste, Nordeste e Norte do Brasil, onde a doença está menos controlada.
